A Frente Parlamentar da Pessoa com Deficiência debateu nessa terça o atendimento no Interior de Pernambuco. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, o estado precisa de dezenove centros de reabilitação. Hoje, tem apenas seis estaduais e três municipais. Mas o surto de Síndrome Congênita do Vírus Zika nos últimos anos obrigou a adaptação da rede de assistência. Atualmente, também participam dela as nove Unidades de Pronto Atendimento de Especialidades, as UPAEs, e alguns serviços municipais, como explica a diretora de Política Estratégica da Secretaria Estadual de Saúde, Flávia Magno. “Com a microcefalia, trouxe a necessidade de ampliar a visão e de ampliar a rede. A gente teve que fazer uma adaptação da rede, mesmo sem habilitação com recurso do Ministério, mesmo sem isso. A gente teve que tomar a decisão de fazer isso acontecer.”
Para Germana Soares, integrante da União de Mães de Anjos, associação que presta auxílio às famílias das crianças com a Síndrome Congênita do Vírus Zika, é preciso melhorar o atendimento no Interior. “Se na capital a gente já sofre, no interior a situação é caótica. Por mais que existam esforços a nível estadual, sempre existe uma lacuna grande quando principalmente se trata da omissão dos municípios, que teriam acesso com mais facilidade a uma prestação de serviço com mais qualidade para essas famílias.”
Por sua vez, os municípios têm dificuldade de atender as pessoas com deficiência. De acordo com o presidente do Colegiado dos Secretários Municipais de Saúde de Pernambuco, Orlando Jorge, um dos problemas é a falta de recursos. “Alguns serviços têm sido desenvolvidos por iniciativa dos próprios gestores, dos próprios municípios, muitas vezes sem o co-financiamento tripartite, das três esferas de governo. Então, os municípios têm desenvolvido ações para reabilitar seus munícipes, seus filhos, com ações muitas vezes de baixa complexidade.”
Muitas vezes, as pessoas com deficiência precisam buscar atendimento na Capital. As viagens podem ser longas e precárias. Uma das organizações que atuam nesses casos é a AACD. Para evitar longos deslocamentos, a entidade articula com prefeituras a criação de oficinas ortopédicas nos municípios. É o que diz o gestor da AACD no Recife, Marcos Rodrigues. “A ideia é levar a proposta de que eles façam uma parceria coma AACD para que a gente monte uma estrutura de oficina ortopédica lá no município. Com isso a gente consegue atender aos pacientes e ele não precisa se deslocar por uma distância tão longa.”
A coordenadora da Frente Parlamentar da Pessoa com Deficiência, deputada Terezinha Nunes, do PSDB, reconheceu as dificuldades. Mas ela destacou iniciativas que têm o objetivo de melhorar a atenção à pessoa com deficiência. Como exemplo, citou a parceria dos conselhos profissionais da área de saúde com a secretaria estadual. “O Crefito, que é o Conselho de Fisioterapia do Estado de Pernambuco, já fez uma parceria com a secretaria de Saúde, como havia sido proposto pela Frente, e vai fazer em todo o estado a capacitação de todas as pessoas que possam ser capacitadas para atendimento às pessoas com deficiência.”
Também participaram da reunião a deputada Roberta Arraes, do PSB, e representantes da OAB, Ministério Público de Pernambuco, Poder Judiciário e sociedade civil.
COMO CHEGAR