Cerca de 220 salas de aula equipadas com recursos multifuncionais, como computadores e impressoras em braile, estariam sendo pouco utilizadas para promover a educação de pessoas com deficiência, em Pernambuco. A denúncia foi feita em reunião da Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com Deficiência, realizada nessa quinta. O Presidente da Associação Pernambucana dos Cegos, José Diniz, foi quem trouxe a informação à tona. “90% dessas salas não funcionam em Pernambuco. As pessoas não sabem nem que equipamento têm. Os únicos equipamentos que se utiliza são os computadores. Porque os computadores qualquer pessoa usa. A direção utiliza esses computadores, os professores utilizam esses computadores – menos as pessoas com deficiência.”
Segundo Diniz, as salas foram patrocinadas pelo Governo Federal e instaladas em Pernambuco a partir de 2010. De acordo com o Ministério da Educação, os espaços são importantes para facilitar o aprendizado dos alunos com deficiência e complementam o processo de ensino da sala de aula regular. O Coordenador Geral da Superintendência Estadual de Apoio às Pessoas com Deficiência, Rogério de Andrade, lamentou o mal uso dos recursos. “Essas impressoras são cedidas, normalmente, pela Secretaria de Educação e a gente, apesar de saber de saber dessa situação, a gente está ciente também que as impressoras estão descanteadas.”
A representante da Comissão das Pessoas com Deficiência da OAB e procuradora do Estado, Isabel Santos, também criticou a gestão dos equipamentos. “O problema, a gente já viu, que não é inexistência da política. É a má gestão do recursos. É a falta de capacitação. São impressoras caríssimas virando sucata porque não tem quem opere. Isso eu já conheço essa realidade de algum tempo.”
Sobre o tema, a coordenadora da Frente Parlamentar, deputada Terezinha Nunes, do PSDB, destacou as medidas que vão ser tomadas pelo Colegiado. “Nós estamos enviando um ofício para a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco para saber qual o destino dessas 220 salas. E, segundo a denúncia feita, muitas dessas salas não funcionam, muitas dessas impressoras estão encaixotadas ainda e já faz alguns anos que essas salas foram enviadas.”
Outros temas também entraram na pauta de discussões durante o encontro, como a importância dos estudos para a inclusão dos cegos no mercado de trabalho e a falta de acessibilidade nas calçadas do Recife.
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