Comissão de Justiça aprova criação do BOPE em Pernambuco

Em 16/05/2017
-A A+

A transformação da Companhia Independente de Operações Especiais, Cioe, em Batalhão de Operações Policiais Especiais, conhecido como Bope, foi discutida pela Comissão de Justiça, nessa terça. A mudança está prevista em projeto de lei do Poder Executivo, que tramita na Alepe em regime de urgência. A proposta deve aumentar para 164 o quantitativo de policiais na Companhia. Atualmente, são 119. O líder da Oposição na Casa, deputado Sílvio Costa Filho, do PRB, questionou a inciativa do Governo. “Por que é que só 10 anos do Pacto Pela Vida a gente está criando a questão do Bope? Eu lembro que os próprios idealizadores do Pacto Pela Vida negavam a necessidade do Bope em Pernambuco.”

Para o deputado Edilson Silva, do PSOL, o que mais vem assustando a população é a falta do policial comum nas ruas, não de uma tropa de elite. Edilson ainda criticou a escolha do nome do Batalhão. Segundo ele, o Bope é conhecido no País por ser uma polícia justiceira.“Isso incentiva no imaginário da polícia militar e no imaginário da sociedade que nós temos agora um batalhão que causa determinadas práticas, que são afastadas da cidadania e da defesa da vida.”

A deputada Teresa Leitão, do PT, também se mostrou contrária ao projeto. Ela afirmou que não conseguiu compreender a essência da mudança. “Eu acho que pra mim não ficou muito claro o que é que a gente vai ganhar com a mudança do Cioe para Bope. A intencionalidade da lei não é possível ver.”

O policial militar e deputado Joel da Harpa, do PTN, também foi contrário à matéria em diversos pontos. Entre eles, a reprodução de um modelo de segurança pública criado em outro estado.“A mesma forma de atuação dos marginais que nós temos no Rio de Janeiro não é a forma de atuação que nós temos em Pernambuco. Por mais que o Governo do Estado esteja criando o Bope aqui a gente sabe que a criminalidade de Pernambuco não é a mesma do Rio de Janeiro.”

Ao contrário de Joel da Harpa, o deputado Rodrigo Novaes, do PSD, saiu em defesa do projeto de lei. “Você defender a desnecessidade do Bope é desconhecer o problema e as características e as peculiaridades em que se dá a criminalidade em nosso Estado.”

Romário Dias, do PSD, também se mostrou a favor da proposta. “Se quiserem criar 10 Bopes, podem criar um Bope em cada lugar, que se depender do meu voto, vai ter o meu voto.”

O líder do Governo na Casa e relator da proposição, deputado Isaltino Nascimento, do PSB, ressaltou que o projeto não prevê apenas a criação do Bope e elencou outros pontos de destaque da proposta. “Batalhões, companhias independentes e agora as encarregadoras terão remuneração condizente, o GAT passará a ter remuneração formalizada. Nós teremos também a gratificação sendo expandida para 4.777 policiais.”

O Diretor de Planejamento Operacional da Polícia Militar de Pernambuco, Tenente Coronel Roberto Santana, indicou quem deve receber o adicional. “É para o grupamento tático itinerante, é para os comandantes de destacamentos do interior e também para as operações que serão criadas nos diversos batalhões para aumentar essa nossa produtividade.”

De acordo com Roberto, essas gratificações vão ser de 800 reais por mês. Ao final da reunião, o projeto de lei recebeu parecer favorável do Colegiado de Justiça.