Estudo realizado pela Consultoria Legislativa da Assembleia mostra que os acidentes de moto diminuíram a partir de 2013 em todo o Estado, com exceção das áreas vizinhas aos municípios sertanejos de Arcoverde, Ouricuri e Afogados da Ingazeira. Para o Governo de Pernambuco, o grande desafio é diminuir a incidência de acidentes de moto no Interior. O secretário de Saúde, Iran Costa Júnior, afirmou que a ingestão de álcool está por trás da maior parte dos casos. “O que a gente vem notando é que os acidentes de moto e os acidentes terrestres eles vêm diminuindo no Estado de Pernambuco mais por conta da diminuição da Região Metropolitana, porque foi uma das capitais que mais diminuiu os acidentes terrestres, e era uma das que tinha mais e está diminuindo bastante, mas no Interior, a diminuição ainda não aconteceu.”
A imprudência na condução da moto também preocupa. Iran Costa Júnior aponta que, no Interior, os motociclistas não costumam usar capacete. “Hoje, um dos focos que a gente tem é concentrar mais a fiscalização, as ações da Lei Seca, e as ações da Cepam, no interior do Estado de Pernambuco.”
Desde 2011, Pernambuco dispõe do Comitê de Prevenção de Acidentes de Moto, o Cepam, responsável por iniciativas como a regulamentação das motocicletas de até 50 cilindradas, as cinquentinhas. A ideia do Governo é interiorizar as ações do comitê. Casos como o do adolescente Normando José Feitosa, morador de Itaíba, no Agreste Meridional, mostram a urgência da medida. Com apenas 16 anos, ele dirige há cinco anos, não tem carteira de habilitação e nem gosta de usar capacete. Outro morador do Interior que sofreu acidente foi Jellisson Fanderson, de 28 anos, da cidade de Custódia, no Sertão do Moxotó. Ele foi vítima de uma situação comum nas estradas de Pernambuco: animais soltos na pista. “Vinha eu e mais uns oito motoqueiros, oito motos, acho…aí vinha um na frente e falou que viu um animal na pista, aí ligou os pisca-alertas só que eu não vi o animal, aí eu vinha normal, na minha, aí, quando eu fiz a curva, tinha outro, tinha uma vaca na pista, bem no meio da BR, na faixa amarela, daí eu colidi com ela.”
O deputado Eduíno Brito, do PP, cobra uma ação específica para o Interior. “A gente percebe que hoje o homem do campo ele trocou o cavalo pela moto, e está se acidentando lá também, dentro da própria fazenda, do próprio sítio. Então, é um trabalho, talvez, seja mais um trabalho de educação do que da própria fiscalização, porque aí realmente pra chegar até lá é difícil, para fiscalizar.”
Para o médico Hélio Calábria, coordenador de Educação do Cepam, a principal iniciativa para fiscalizar as motos é a municipalização. “A municipalização do trânsito já é uma regulamentação do Denatran, mas que não é aplicada. Então, o Estado, ele pode pressionar esses municípios a assumir essa responsabilidade e o município tem que entender que ele precisa ter um papel no trânsito também. Não adianta só deixar na mão do Estado e do Governo Federal.”
O secretário de Saúde, Iran Costa Júnior, tem uma proposta para diminuir o número de vítimas de acidentes: proibir que o banco de carona seja utilizado nas motos. “Do mesmo jeito que a Colômbia fez, certo, e que a África do Sul fez, eu acho que a moto, eu defendo que a moto seja um transporte unitário. Só uma pessoa possa andar na moto. Isso diminuiria os acidentes em torno de 30%. E, além do mais, dava um suporte na área de segurança, porque a moto é o transporte usado em 60% dos assaltos no Brasil.”
*As reportagens sobre o Maio Amarelo foram produzidas em parceria com os estudantes Maria Luiza Coutinho, Bárbara Campos e Augusto Rocha, alunos do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco.
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