Vitória Lira é uma jovem de 18 anos. Ela gosta de ver videoclipes no tablet. Dorme tarde. Sente preguiça de se exercitar na esteira e adora ir ao cinema. Vitória é uma adolescente igual a tantas outras; igual, mas diferente. Vitória é autista. Ela precisa de ajuda para se comunicar e interagir socialmente e de educação especial. Autismo é o termo geral usado para indicar um conjunto de sintomas neurológicos, comportamentais e psíquicos. O Transtorno do Espectro do Autismo pode variar em menor ou maior grau, afetando a capacidade de comunicação e provocando comportamentos repetitivos. A mãe de Vitória, Ângela Lira, conta como começou a perceber que havia algo diferente com a filha. “O menino autista não olha pra você e a gente como mãe acha que o filho não gosta de nós, não reconhece você como mãe. Eu já tinha perguntado ao profissional: ela não sabe que eu sou a mãe dela? E aí ele me disse que ela sabia sim, que ia demonstrar. E nesse momento eu percebi que ela sabia que eu era a mãe dela e que eu era o porto seguro dela.”
A pessoa com Autismo pode parecer alheia, mas ela é capaz de perceber a atenção, o cuidado e o carinho que recebe. Não existe uma causa definida para a condição. Pesquisas apontam que a combinação de fatores genéticos, ambientais e biológicos pode provocar alterações no desenvolvimento do cérebro. De acordo com a psicóloga do Centro de Pesquisa de Psicanálise e Linguagem, Ana Elizabeth Cavalcanti, é importante que as famílias fiquem atentas ao desenvolvimento dos pequenos. “Se você chega junto dela e faz um afago, ela não demonstra satisfação. Se chegam outras crianças, que elas geralmente adoram, elas também não se interessam. Não significa de jeito nenhum que essa criança vai ter Autismo, mas significa que alguma coisa que ela está bem com ela e em não estando bem você deve procurar ajuda. É a melhor forma. E o mais cedo possível.”
O pediatra é geralmente o profissional de saúde que está mais próximo de pais e mães durante o primeiro ano do bebê. Mas é preciso ter cuidado ao estabelecer o diagnóstico, porque cada pessoa tem um ritmo próprio de desenvolvimento e o parecer médico não deve ser encarado como um limitador. O tratamento pode contar com terapia ocupacional, fisioterapia, acompanhamento de neurologista e psiquiatra para suporte às famílias. A psicóloga Ana Elizabeth Cavalcanti lembra que as limitações à vida da pessoa com autismo são relativas. “É uma pessoa que não tem condição de estabelecer um diálogo verbal, mas é uma pessoa que tem trânsito pela Internet, que tem uma vida rica. Gosta de cinema, gosta de música. Quando você olha para a pessoa acha que é uma vida completamente vazia, entretanto, você vai ver que é uma vida diferente.”
A lei estabelece uma série de direitos para os cidadãos do espectro autista. Uma cartilha produzida pela Assembleia Legislativa de Pernambuco esquematiza as normas estaduais e federais e fornece outras informações úteis. Dentre as garantias oferecidas estão tratamento gratuito, especializado e multidisciplinar, acesso a medicamentos pelos SUS, educação básica e profissionalizante inclusiva e adequada às necessidades. Também estão o acesso ao mercado de trabalho, benefícios tributários e assistenciais, meia-entrada em eventos culturais e passe livre no transporte público. Mas as políticas públicas ainda precisam ser fortalecidas. Para a pedagoga Monalisa Costa, da Associação de Famílias para o Bem-estar e Tratamento da Pessoa com Autismo, seria bom começar com investimentos na educação. “Teria que selecionar um grupo de pessoas, oferecer um treinamento de qualidade para essas pessoas para que elas estejam aptas a trabalhar com qualquer indivíduo, autistas ou qualquer pessoa que tenha atraso no desenvolvimento para poder atuar em uma escola.”
Ângela, mãe da jovem Vitória, deseja um futuro de oportunidades e cuidado para a filha. “O que eu espero para o futuro dela é a garantia de uma qualidade de vida, de acolhida, dela estar em um ambiente seguro.”
Para ler a cartilha com informações sobre o Transtorno do Espectro Autista acesse o site www.alepe.pe.gov.br.
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