Acabar com o analfabetismo é a primeira diretriz do Plano Estadual de Educação aprovado pela Assembleia em 2015. No entanto, a mazela social coloca Pernambuco entre os dez estados com os piores índices de alfabetização, segundo o IBGE. Apesar dessa desvantagem, jovens e adultos que não sabem ler e escrever encontram formas de se comunicar e fazer parte da sociedade. É nesse espaço que o aparelho celular desponta como tecnologia de preferência da população. E não só para efetuar ligações telefônicas: em recente pesquisa nacional do IBGE, 78,5% da amostra pesquisada de domicílios em Pernambuco acessa a rede mundial de computadores por meio da telefonia móvel.
Há cinco anos, esse uso intenso do celular já chamava a atenção do professor José Luís Poli. Ele costumava notar em sala de aula que jovens e adultos analfabetos tiravam fotografias e trocavam mensagens por meio de equipamentos comuns, da geração anterior aos smartphones. Foi assim que surgiu a ideia do aplicativo Palma. Segundo Poli, o software é pioneiro no formato e na proposta. O professor, que é um dos fundadores da instituição de ensino superior Anhanguera Educacional, lembra como idealizou o aplicativo:
“Bastaria fazer simplesmente um programa que combinasse letras, números, sons, imagens e transformasse num aplicativo. Quando o aluno terminasse a aula, ele iria embora pra casa dele e ia fazer aquelas lições que a professora terminou de explicar quantas vezes ele quisesse, principalmente sons, que, nessa fase de alfabetização, são muito importantes as pessoas reconhecerem corretamente o som de uma letra, de uma firma, de um grafema e de uma palavra.”
A auxiliar de serviços gerais Rosane Lino de Sá, de 34 anos, parou de estudar há nove anos. Apesar de admitir a dificuldade de ler e escrever, ela usa com frequência o Facebook para se comunicar. Rosane comenta, curte e compartilha postagens. Mas interage pouco, pois tem receio que outros usuários corrijam o que ela publica na rede social:
“Fico com medo de faltar uma letra, de escrever um nome errado, eu fico insegura. Eu quero postar, assim, um probleminha que está na minha vida, eu quero falar, fazer um comentário, só que eu fico com medo que falte uma letra, e eu passe vergonha, porque tem muita gente que ri disso, eu fico com vergonha, fico com medo.”
A presidente da Comissão de Educação da Assembleia, deputada Teresa Leitão, do PT, teve o primeiro contato com as dificuldades de muitos brasileiros que não sabem ler ou escrever ainda na infância. Aos doze anos, ela começou a ajudar a jovem Maria, que trabalhava em sua casa, a escrever cartas. Educação de adultos, aliás, é um tema que a parlamentar acompanha há décadas. Teresa defende que a instrução ocorra ao longo da vida:
“A assinatura do nome é o grande momento na vida dessas pessoas, mas dar prosseguimento aos estudos é o mais difícil. As turmas geralmente têm um grau de evasão grande após a alfabetização. Mas se a gente conseguir erradicar o analfabetismo, diminuir os índices, que estão diminuindo, mas muito lentamente. E aí a vida segue. O túmulo geralmente chega mais cedo do que a letra.”
Segundo o mais recente relatório da Unesco sobre a educação de adultos, o mundo ainda está distante do ideal do ensino ao longo da vida. Confira as conclusões de governos, ONGs e especialistas pesquisando pelo tema “60 Anos de Confintea” no banco de dados disponível em www.unesco.org
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