Toda terça-feira, o guia Heraldo Gouveia segue um ritual. Em Brejo da Madre de Deus, no Vale do Ipojuca, ele passa o dia recolhendo o lixo deixado nas trilhas turísticas. Mais do que um ato de consciência ecológica, a atitude do profissional, que atua há 20 anos na região, é um exemplo de como praticar o turismo de forma sustentável. “Tem pessoas que são conscientes e tem pessoa que não é. A turma sempre deixa um lixo e eu quando vejo um lixo na trilha tenho que tirar.”
Não à toa, a ONU decidiu adotar 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento. Respeitar o meio ambiente e valorizar a cultura local das comunidades deve ser o mantra do setor, que integra a chamada “indústria sem chaminés”. A reflexão em escala mundial ecoa lá na ponta, entre turistas que integram um novo perfil, como atesta uma das praticantes de turismo ecológico em Brejo da Madre de Deus, a fisioterapeuta Carolina França. “O turista é menos passivo hoje. A gente quer visitar o lugar não simplesmente para fazer uma viagem, a gente quer aprofundar numa cultura. O mínimo que você conseguir interferir de forma predatória nessa natureza, você vai estar fazendo um bom papel.”
Opinião compartilhada pela fisioterapeuta Juliana Barradas, que leva a filha para viajar pelo mundo desde os seis meses de idade. “Essa é a grande sacada da mudança do turista para o verdadeiro viajante, é se apropriar e saber que o mundo é de todo mundo. Quanto mais a gente sabe disso mais a gente quer conhecer, mais respeita, mais cuida.”
Essa nova consciência se reflete em atitudes simples que fazem a viagem ser diferente: dos cuidados em economizar água e energia até a escolha por voos diretos, para ajudar na diminuição de gás na atmosfera, passando pela compra de artesanato local para movimentar a economia das comunidades. A sustentabilidade foi definida pela Organização Mundial de Turismo como uma prática que atende às necessidades dos visitantes de hoje e das regiões receptoras, ao mesmo tempo em que protege e amplia as oportunidades para o futuro. Segundo a professora de Hotelaria e Turismo da UFPE, Nathália Korossy, isso se faz com planejamento. “É preciso que a gente pense o planejamento de forma participativa, onde todas as partes contribuam de forma ativa. É uma filosofia mesmo, e hoje no mundo não há mais espaço para pensar em formas não-sustentáveis de pensar o turismo.”
O site do Sebrae indica, com base no IBGE, que o turismo representa 3,6% do PIB brasileiro. De 2003 a 2012 o setor cresceu 40,6% e, em 2013, gerou três milhões de empregos. Esse perfil dá uma ideia do tamanho e da importância da atividade para o desenvolvimento. A vice-presidente da Associação Brasileira de Agentes de Viagens (Abav) em Pernambuco, Fátima Bezerra, aposta na conscientização de todos os elos dessa cadeia e na educação de base. “Para isso ter um resultado tem que ser conscientização e educação. Tem que ser uma política pública, que realmente diga: vamos trabalhar desde criancinha. Então, é uma questão de base.”
Enquanto essa realidade ainda não se faz completa, o guia Heraldo continua fazendo a sua parte limpando as trilhas e buscando educar moradores e visitantes. “Nós temos que fazer a parte da gente. Turismo, ecologia, patrimônio… a gente tem que preservar. Se não preservar, não fica bom nem pro turista nem pro guia.” Se você quer conhecer mais sobre o tema visite o site: www.passaporteverde.org.br .E para se informar sobre como adotar práticas sustentáveis no seu negócio ou empresa, acesse: sustentabilidade.sebrae.com.br/
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