Apesar da crise econômica, Pernambuco manteve os investimentos em saúde no ano de 2016, mas exames de prevenção ao câncer de mama e do colo de útero, por exemplo, estão menos acessíveis à população. De acordo com relatório de prestação de contas do segundo quadrimestre da Secretaria Estadual de Saúde, a oferta de mamografias caiu mais de 16%, enquanto o número de preventivos, quase 9%. Os dados foram apresentados pelo secretário Iran Costa ao colegiado que trata da matéria na Alepe, em audiência pública realizada nessa segunda.
Na avaliação do gestor, a queda reflete as dificuldades que os municípios vêm enfrentando para manter em funcionamento serviços de prevenção. “A gente vê o fechamento de serviços nos municípios. Pernambuco, para consertar isso, colocou mamógrafos pelas Upas especialidades, são dez mamógrafos hoje, para dar suporte aos municípios, para tirar esse custo dos municípios.”
Segundo o relatório, Pernambuco investiu um bilhão e setecentos milhões de reais em saúde no segundo quadrimestre deste ano, valor levemente maior se comparado ao mesmo período do ano passado, quando o volume de recursos ficou na casa de um bilhão e trezentos milhões. A quantia representa 15,5% do orçamento do Estado, percentual superior ao mínimo exigido por lei, de 12%. Iran Costa avaliou como boa a cobertura do Programa de Saúde da Família, com quase 80%, mas disse que ainda é necessário melhorar os índices qualitativos do programa, pois houve um crescimento de 4% nos internamentos provocados por falta de atenção primária.
Entre as ações realizadas, o secretário relatou o investimento de 3 milhões de reais em pesquisa sobre o vírus Zika por meio de editais da Facepe. Outra preocupação é a redução dos acidentes com motocicletas, que representam o maior custo da pasta. No ano de 2015, o gasto foi de 600 milhões de reais, quatro vezes mais que os 150 milhões destinados ao tratamento de câncer, por exemplo. As motos respondem por mais de 75% dos veículos envolvidos em acidentes e quase 45% das ocorrências com morte. Conforme Iran Costa, a secretaria vem fazendo um trabalho exaustivo com as prefeituras para que aumentem a fiscalização.
Presidente da Comissão de Saúde, o deputado Eduíno Brito, do PP, sugeriu que a Assembleia ajude na construção de uma política de combate ao que chamou de epidemia dos acidentes de trânsito. “A gente tem que entrar em contato com o Ministério das Cidades para que o Denatran promova uma mudança na legislação, aporte mais recursos para os estados, para que a gente possa aumentar a fiscalização, ao passo em que vamos fazer um trabalho com a questão da educação de trânsito.”
Depois da apresentação do relatório, organizações sociais e entidades sindicais apresentaram reivindicações ao secretário de Saúde. Representantes do Conselho Regional de Enfermagem e do sindicato da categoria pediram a ampliação das vagas para cargos efetivos. O secretário respondeu que está contratando novos profissionais, para repor os quadros vagos e melhorar a proporção de profissionais por pacientes. Sobre os problemas enfrentados por pessoas portadoras do vírus da Aids, o compromisso foi de aumentar a oferta de tratamento nos municípios de Caruaru, no Agreste Central, e Petrolina, no Sertão do São Francisco, além de resolver a falta de medicamentos na Farmácia do Estado.
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