Um terreno de 40 hectares, às margens da rodovia PE-09, em Ipojuca, na Região Metropolitana, foi o centro da discussão da audiência pública dessa quarta. É ali que está prevista a criação da Arena Porto, um espaço para eventos, na via que dá acesso a Porto de Galinhas. A reunião foi realizada em conjunto pelas Comissões de Meio Ambiente e de Desenvolvimento Econômico e Turismo. A obra está paralisada desde sete de novembro, por determinação da Agência Estadual de Meio Ambiente. A CPRH considerou insuficiente a documentação apresentada pela empresa responsável, a Luan Promoções e Eventos, que recebeu multa de 600 mil reais.
De acordo com o ouvidor Jost Paulo, a Agência enviou uma equipe técnica para fazer um levantamento no local. “Constatou-se que havia supressão de vegetação de mata atlântica, o que é proibido por lei, sem a devida autorização, que é de competência da CPRH emitir.” A Luan Promoções e Eventos chegou a divulgar a realização de um festival de música de grande porte, que seria realizado em janeiro de 2017, mas foi cancelado. A Prefeitura de Ipojuca informou que a empresa não solicitou autorização para promover eventos no local.
A procuradora-geral do município, Virgínia Pimentel, comentou a situação atual do empreendimento junto à Prefeitura. “Ele pediu para instalar um container, primeira autorização. Segunda autorização: ele pediu para suprimir coqueiros. E a última autorização: ele pediu para nivelar, para terraplanar. Para ter o uso, eles precisavam de uma licença, e essa licença sequer foi protocolada. O município não tem protocolo de show, pedido de autorização para fazer show.”
Além da questão ambiental, mobilidade e segurança também são motivos de preocupação. O diretor executivo da Associação de Hotéis de Porto de Galinhas, José Ulisses Ávila, enxerga um interesse dos produtores de eventos realizados na região, que aproveitam o potencial turístico, sem contribuir para melhorias na infraestrutura local. “Nós somos a favor, desde que seja construído com toda a infraestrutura necessária, em diálogo com a sociedade, com o município, com o Estado. Nós não podemos colocar em risco um destino turístico que é tão bom e está dando certo, que já está além do seu limite de capacidade de carga por si só, absorver eventos de grande porte. Esses shows não trazem nenhum benefício à população local. É só para gerar tumulto, para aproveitar o oportunismo da massa, e isso não ajuda. Isso traz insegurança, caos no trânsito.”
A empresa responsável pela Arena Porto não enviou representantes à audiência. O presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico e Turismo, deputado Aluísio Lessa, do PSB, que conduziu o encontro, criticou essa ausência. “Tem muita coisa errada, não só a questão da falta das licenças, mas a falta de compromisso da Arena com relação aos impactos que já viriam causar, já no mês de janeiro. Eles estavam buscando se apropriar de uma coisa de maneira ilegal. Ficou claro, aqui, na falta de respostas.”
O terreno do projeto da Arena Porto ocupa uma área de 40 hectares. Prevê capacidade para 12 mil pessoas e três mil vagas de estacionamento. São sócios do empreendimento o cantor Wesley Safadão e os empresários pernambucanos Janguiê Diniz e Luiz Augusto Nóbrega. Uma nova audiência pública, convocada pelo Ministério Público de Pernambuco, vai ser realizada em Ipojuca na próxima quarta, para dar continuidade à discussão.
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