Avanços tecnológicos e digitalização do sinal são novos desafios para a profissão de radialista

Em 04/11/2016
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Sete de novembro é o Dia do Radialista, profissional responsável por criar, dirigir e elaborar roteiros de programas, locuções, e muito mais. A data foi instituída por lei em 2006, em homenagem ao dia de nascimento do radialista, cantor e compositor, Ary Barroso.

A primeira transmissão oficial de rádio no Brasil ocorreu no Rio de Janeiro, em sete de setembro de 1922. Um discurso do então presidente Epitácio Pessoa foi ao ar para os oitenta aparelhos receptores existentes. Em Pernambuco, as difusões amadoras começaram em 1919 pela Rádio Clube. A programação incluía a o Repórter Esso, transmitido a partir de 1941.

Na segunda década do século 21, a tecnologia avançou e surgiram novos desafios, como a convergência com a internet e a digitalização das transmissões. De acordo com a professora de comunicação da Universidade de Brasília, Nélia Del Bianco, ainda não há acordo sobre o sistema adequado para digitalizar o sinal do rádio. Ela acredita que os profissionais da área precisam se adaptar ao novo contexto. “É preciso ter uma equipe que possa transformar parte deste conteúdo falado em texto, em material para a internet e para os aplicativos onde se pode ouvir rádio.”

Enquanto não há a migração do sinal, as emissoras investem na integração com a internet e dispositivos móveis, e na melhor qualidade da frequência FM. A radiodifusão local por ondas médias, o AM, é mais vulnerável a ruídos e interferências e, por isso, vem caindo em desuso. Dados da Anatel mostram que das quase mil e oitocentas emissoras que atuam no AM, mil e trezentas pediram para realizar a troca para FM.

O radialista e professor universitário, Marcos Araújo, acredita que para além da tecnologia, é imprescindível analisar as necessidades de quem escuta rádio atualmente. “Mais importante do que tudo isso é saber que tipo de conteúdo devemos produzir. Responder a pergunta: para quem é o nosso trabalho? Quem mais precisa de um conteúdo diverso e de uma informação de qualidade?”

Com 40 anos de atuação na área, ele reconhece a importância social da profissão. “Trabalhar como radialista é muito legal enquanto eu me sinto útil, enquanto eu me sinto importante com o meu trabalho, quando eu vejo que contribuo com o que eu faço para que as pessoas sejam mais bem informadas.”

Como demonstrou Marcos Araújo, os trabalhadores do rádio são apaixonados por esse meio de comunicação. Seja na transmissão AM em uma cidade do interior, ou na Internet, para celulares e outros dispositivos móveis, produzir para rádio é um prazer.