Semana Mundial de Aleitamento Materno promove conscientização sobre a prática

Em 29/07/2016
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O toque, o olho no olho, o aconchego. A amamentação proporciona tudo isso. É um momento íntimo entre mãe e bebê. Mas, pera aí! A esta altura, você, ouvinte, deve estar pensando: mais uma matéria sobre aleitamento materno. E você tem toda razão. Campanhas e reportagens são apontadas como fundamentais para que a população compreenda a importância do tema. Apesar de todos os benefícios já conhecidos, o início da amamentação pode ser um pouco desgastante. Daniel tem três meses. Filho de Keyla e Leonardo Guimarães, no princípio, ele apresentou dificuldade de mamar. Perda de peso do bebê e fungo na mama de Keyla foram alguns problemas iniciais. “A gente é dominado às vezes pelo cansaço, pelo stress de modificação da vida, de toda revolução que o bebê traz no nosso dia a dia. Uma outra dificuldade é prevenir problemas no peito, como o engugitamento, fissuras, machucado no peito, porque inclui dor. A gente vive numa cultura que estimula muito o aleitamento por leite artificial e, muitas vezes, frente a essas dificuldades, a gente acaba cedendo ao leite artificial que não é o mais saudável, o mais adequado para o bebê. Posso dizer que temos superado essa dificuldade principalmente com o apoio familiar e o apoio profissional”.

Assim como Keyla e Leonardo, outras famílias têm acreditado que a amamentação é o melhor para o recém-nascido. Os especialistas ressaltam que, apesar dos problemas iniciais, a amamentação se torna prazerosa depois da adaptação. Os dados confirmam: em 30 anos, o Brasil aumentou em 20 vezes o número de bebês que têm o leite materno como alimento exclusivo por seis meses e até um ano. Atualmente, o País tem o maior número de doadoras de leite do mundo e as brasileiras também são líderes em amamentação de bebês de até seis meses e de até 12 meses. Segundo a pediatra e especialista em aleitamento materno, Bernadete Dantas, a licença-maternidade é uma conquista importante para se chegar a esses resultados. “Os seis meses são fundamentais realmente pro aleitamento… A mãe se sente mais tranquila pra manter uma lactação exclusiva”.

Todos esses aspectos positivos foram levados em conta pela Organização Pan-Americana de Saúde, para prestar um reconhecimento especial ao Brasil e apontá-lo como referência mundial em amamentação, em março deste ano. De um a sete de agosto, é comemorada, anualmente, a Semana Mundial do Aleitamento Materno. A ideia é intensificar a campanha de conscientização quanto à importância de amamentar, independentemente de classe social. De acordo com Bernadete Dantas, ainda existe o preconceito de achar que a  recomendação só vale para as classes baixas, pelo fato do leite materno ser gratuito. Mas ela garante que o alimento é essencial nos primeiros seis meses e deve ser mantido até os dois primeiros anos de vida, como defende a Organização Mundial da Saúde. “Ultimamente, foram detectados duzentos e cinquenta fatores de proteção no leite. É uma vacina. A primeira que o bebê vai tomar. Com defesa para evitar doenças respiratórias, digestivas, alergias… É um leite que tem todos os componentes para nutrição do bebê até o sexto mês: água, os sais minerais, vitaminas, carboidratos, proteínas e gordura”.

Além das vantagens nutricionais, especialistas apontam o vínculo emocional como um motivo relevante para se investir na amamentação. Estudos mostram que os primeiros meses de vida são fundamentais para formar muito do equilíbrio emocional que o ser humano terá para o resto da vida. Maria Joice da Silva, de 24 anos, que está alimentando Ester Beatriz exclusivamente com leite materno, se emociona ao falar da amamentação. Ela ressalta que, apesar das dificuldades que possam existir, a amamentação é prazerosa. “É uma experiência bem especial. A gente sente mesmo o contato do bebê e da mãe. Acho que o amor, o carinho da mãe, da família, tudo se resume ao leite”.