O conteúdo de uma conversa entre o atual ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, levou parlamentares à tribuna na Reunião Plenária desta segunda. A gravação, divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, contém declarações do ministro Jucá sobre o avanço da operação Lava Jato. No diálogo, o ministro chega a dizer que seria necessária uma mudança no Governo para “estancar a sangria” da Lava Jato, que tem os dois como investigados. O deputado Edilson Silva, do PSOL, afirmou que as declarações deixam claro que o afastamento da presidente Dilma Roussef serviu para abafar os avanços da operação: “É impressionante a cara de pau do senhor Romero Jucá em estabelecer como seria o percurso pra poder livrar aquele grupo de bandidos que acabaram votando pelo impeachment da presidente Dilma. Por isso, nós do PSOL estamos pedindo hoje a prisão do senhor Romero Jucá”.
Em aparte, o deputado Lucas Ramos, do PSB, criticou a escolha da nova equipe ministerial e destacou que a gestão de Michel Temer está loteando os ministérios em troca de apoio político. Odacy Amorim, do PT, também discursou sobre o assunto. Ele declarou que o Brasil está assustado com o conteúdo da conversa entre Jucá e Sérgio Machado, e afirmou que a ocorrência não pode passar em branco. “Eu acho que está muito clara a ideia do bode expiatório, não precisa mais de nenhuma prova sobre isso. Romero Jucá já disse: ‘tem que derrubar a Dilma pra poder acalmar a imprensa, pra poder acalmar outros campos da vida pública, para tentar debelar esse problema aí da Lava Jato”. Odacy Amorim ainda classificou como ilegítima a atual gestão federal, e disse que a conjuntura da política coloca em risco a democracia no País.
O deputado Álvaro Porto, do PSD, denunciou a criminalidade e a insegurança no Agreste Meridional. O parlamentar afirmou ter visitado mais de dez municípios da região, e verificado que as queixas relacionadas à segurança pública se multiplicaram, com relatos de assaltos e homicídios. Segundo Porto, os trabalhadores rurais estão andando armados por causa da inoperância do Estado. O deputado também criticou a falta de estrutura para atuação da polícia, que estaria trabalhando com viaturas sucateadas. “Sobre esse aspecto, inclusive, cabe aqui perguntar: se as viaturas usadas pela polícia estadual são de locadoras, por que não se renova a frota? Se as contas estabelecidas nos contratos estão sendo pagas, por que a frota permanece sucateada? Nada justifica essa realidade.”
Álvaro Porto ainda declarou que o programa Pacto pela Vida está falido e que as ações da política de segurança do Estado geram muitas dúvidas. Em aparte, a deputada Priscila Krause, do Democratas, e Edilson Silva, do PSOL, apoiaram a abordagem do tema.

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