“Eu acho que a crise é geral. Acredito que aqui no Sertão não está muito diferente das outras regiões. A situação de incerteza pela qual passa o Brasil reflete em todas as áreas. Ainda por cima, a falta de um inverno controlado, que não tivemos, o aumento incontrolável da inflação… Tudo isso leva o consumidor a se precaver na hora de consumir, na hora de comprar, passando a consumir praticamente somente o essencial.”
Foi assim que Diomedes Mariano, gerente de um comércio de médio porte do Sertão do Pajeú de Pernambuco, resumiu o impacto da crise no seu negócio. Ele fez um comparativo entre janeiro e maio do ano passado e o mesmo período, este ano, e identificou uma queda no faturamento do seu comércio de cerca de 20%.
A avaliação do comerciante fica mais clara quando nos deparamos com os dados do IBGE, que apontam as vendas do comércio varejista brasileiro em baixa, com uma queda de dez por cento em relação ao ano passado. Segundo o economista e professor Valdeci Monteiro, a atual situação da economia em Pernambuco deve ser analisada a partir de aspectos nacionais, como a inflação alta, mas também de questões ligadas à própria economia do Estado.
“A desmobilização das obras, das grandes obras, como a refinaria e estaleiro, que era já programada, levando a mais de 45 mil desempregos… Isso também afetou a economia, sobretudo na construção civil e, por conseguinte, também refletiu em comércio e serviços”.
Os estados e municípios da Região Nordeste, de maneira geral, são muito dependentes de transferências federais. Com a crise, o repasse tem caído. As prefeituras que, por sua vez, movimentam o comércio local, têm deixado de comprar ou, se compram, não pagam.
O Sertão, além de sofrer com a queda no comércio varejista, enfrenta a seca que compromete diretamente a economia vinculada aos pequenos agricultores. Já no Agreste pernambucano, onde existem polos de confecção, o setor lojista também tem sentido o impacto da crise. Os municípios de Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe formam o eixo de confecções e jeans de Pernambuco, responsável pelo crescimento econômico da região.
Ao tentar fazer contato com cinco lojas que comercializam confecções em Caruaru, o Assembleia Geral teve o seguinte retorno: dois proprietários dessas lojas não quiseram comentar sobre a crise, dois outros proprietários alegaram já ter fechado suas lojas e apenas uma pessoa se dispôs a falar. A gerente de uma das lojas que aceitou falar com a reportagem, Gorete Alves, afirma que o consumidor está inseguro: “Em termos de negócio, oscila. Dias está melhor, dias está pior… Mas, bom mesmo, não está. Era pra estar melhor”.
Para o autor do livro O homem de negócios contemporâneo, Márcio Sá, que conduz pesquisas na região do Agreste, há uma retração por parte do consumidor e o mercado local está vulnerável e oscilante: “A dificuldade de se manter determinados patamares produtivos e de geração de renda por limitações no consumo, por limitações na procura, é evidente na região”.
Ele ressalta, também, que a situação no Agreste é ainda mais delicada porque os direitos trabalhistas não são assegurados em larga escala. De acordo com Márcio Sá, a maioria das pessoas trabalha na informalidade e esse é um dos motivos pelos quais existe uma certa dificuldade para os pesquisadores estimarem a taxa de desemprego no Interior do Estado.
A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) registrou na Região Metropolitana do Recife uma diminuição dos postos de trabalho de mais de 10%. De acordo com o levantamento realizado nas capitais, o Recife tem o segundo maior índice, ficando atrás apenas de Salvador.
Esta semana, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou dados que retratam um quadro preocupante no tocante aos postos de trabalho. Os números mostram que 2015 foi marcado pelo aumento da taxa de desemprego que fechou com um índice de 9%.
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