CPI ouve representantes de faculdades do Interior

Em 23/03/2016
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A CPI das Faculdades Irregulares apurou, nesta quarta, a ligação do diretor de expansão da Faculdade Anchieta, Gedalias Pereira, com outras entidades de ensino suspeitas de praticar atividades ilegais no interior do Estado. O depoente já foi presidente do Instituto de Desenvolvimento Educacional, Religioso e Cultural, o Iderc, com sede em Caruaru, no Agreste. Em 2014, a faculdade teve cinco cursos livres suspensos pela Justiça Federal por estarem sendo oferecidos como cursos de graduação.

A Comissão apresentou indícios de que Gedalias Pereira estaria atuando de forma semelhante não apenas na Faculdade Anchieta, que também é alvo de investigação na CPI, mas também em outras empresas por meio de amigos e parentes.

Uma delas seria a União das Instituições para o Desenvolvimento Educacional, Religioso e Cultural, a Uniderc, que teve atividades suspensas em 2014 por oferecer cursos de pós-graduação sem credenciamento no MEC. Na época, Gedalias era dono da Uniderc, mas afirmou que vendeu a empresa a Márcia Maria Campos, que o depoente considera uma mãe. Ela também foi convocada para a reunião, mas não compareceu.

O diretor acadêmico da Uniderc, Iraquitan Ribeiro, convidado para a reunião pelo próprio Gedalias, e que também acabou sendo ouvido como testemunha, confirmou que, embora a Uniderc tenha sido vendida, Gedalias continua à frente da instituição.

Para o presidente da CPI, deputado Rodrigo Novaes, do PSD, os depoimentos deixaram clara a participação de Gedalias no esquema dos cursos de extensão. “O senhor Gedalias está por trás de toda essa estrutura que se plantou aqui, essa segunda fase. Tanto no recebimento de alunos pela Faculdade Anchieta, ele tem o braço do irmão, que participa do Proex Nordeste, que é uma empresa de cobrança e logística, que é mais uma instituição que faz a terceirização da atividade de ensino. A mãe dele é laranja da Uniderc, ficou claro aqui pelo funcionário que trabalha na Uniderc, que contradisse ele. Então isso deixa cada vez mais claro, mais evidente a participação dele nesse esquema.”

CPI apura oferta de cursos irregulares em Pernambuco Foto: Giovanni Costa

CPI apura oferta de cursos irregulares em Pernambuco
Foto: Giovanni Costa

O testemunho de Gedalias Pereira foi considerado confuso e evasivo. Ele chegou a afirmar que o principal objetivo das instituições em que atuou era promover a inclusão social de alunos sem acesso à educação. O depoente destacou que, hoje, as empresas já cumprem determinações do Ministério Público Federal. “Essas instituições têm termos de compromisso com o Ministério Público. Inclusive a Uniderc firmou um termo de compromisso com o Ministério Público Federal. O que essa instituição, que formou seus alunos com dignidade, está encerrando é cumprir seu papel e seu compromisso com dignidade. E tirar exemplo do que está acontecendo, o que está sendo questionado, para que possa se replanejar de forma mais sólida e que não esteja vulnerável a essas críticas.”

Na próxima quarta, a Comissão vai coletar novo depoimento de Gedalias Pereira e de Márcia Maria Campos.