Orgulho, saudade e emoção tomaram conta da Casa Joaquim Nabuco durante a solenidade de despedida de Juvenal de Holanda Vasconcelos, o Naná. Nascido no Recife em 2 de agosto de 1944, ele descobriu a doença no pulmão no ano passado. Chegou a fazer sessões de quimioterapia e radioterapia. Mas, apesar da gravidade do caso, a viúva, Patrícia Vasconcelos, e a filha, Luz Morena, contam que o músico estava otimista e esperançoso. “Ele sempre muito positivo, querendo viver. Ele fez o carnaval, até o ultimo show, ele cumpriu a parte dele. Ele deixou um disco para ser executado, deixou as músicas, e acho que uma das minhas missões é concluir esse álbum.”
Naná Vasconcelos era conhecido pela genialidade com que lidava com os instrumentos. Venceu oito prêmios Grammy e foi escolhido oito vezes o melhor percussionista do mundo. Em Pernambuco, marcou época na abertura dos carnavais, quando liderava uma multidão de batuqueiros e fazia a festa dos foliões.
O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, lamentou a morte de Naná Vasconcelos. “A gente fica triste, mas sabe que Naná foi uma pessoa fundamental para a nossa cultura e para a difusão dessa cultura para todo o mundo.”
O músico era tricolor, e a bandeira do time do coração, o Santa Cruz, se uniu à de Pernambuco para cobrir o caixão em uma cerimônia que contou com a presença de admiradores, artistas e autoridades.
O Presidente da Assembleia, deputado Guilherme Uchoa, do PDT, ressaltou a importância do músico para a cena cultural do estado. “Naná deixou um exemplo muito forte na cultura pernambucana e representou este Estado em todo o exterior. Hoje é uma pessoa muito mais conhecida no exterior do que no próprio Estado dele. Ele vai deixar um exemplo, uma saudade muito forte e, talvez, uma lacuna impreenchível.”
O Prefeito do Recife, Geraldo Júlio, afirmou que os ensinamentos de Naná Vasconcelos vão ficar eternizados na cidade. “Fica toda a arte, todo o talento, toda a cultura dele, ficam para marcar a história da nossa cidade, a história do Brasil.”
Para o presidente do Maracatu Nação Raízes de Pai Adão, Itayguara da Costa, Naná ajudou a formar uma geração de novos músicos. “Ele foi um espelho pra nossa comunidade, pra nossas crianças. Então, pra gente, é de muita importância esse legado que ele deixou. Não sei como vai ser a abertura do carnaval sem Naná Vasconcelos.”
O músico do grupo Quinteto Violado, Marcelo Melo, trabalhou com Naná em diversos momentos da carreira do percussionista. Para ele, fica a lembrança de uma pessoa feliz e criativa. “Foi esse o grande sucesso dele, que era uma coisa que vinha do espírito dele, da naturalidade dele e da capacidade de transformar coisas muito simples em elementos muito ricos da percussão. Então, pra nós vai fazer falta, mas fica o exemplo, e a gente segue esse exemplo.”
O velório de Naná Vasconcelos teve homenagens em forma de música. A Orquestra Criança Cidadã, da comunidade do Coque, no Recife, reverenciou o músico com uma apresentação. Integrantes do Maracatu Nação Porto Rico entoaram loas e lembraram a personalidade do grande mestre. O perfil positivo de Naná foi confirmado pelo líder da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, Maestro Forró. “Além do grande gênio musical, Naná carregava com ele sua risada. Em qualquer momento, ou de alegrias ou de tristeza, ele abria aquele sorriso sonoro e acabava com qualquer embate, divergência. Naná está vivo nos nossos corações.”
O corpo de Naná Vasconcelos vai ser velado na Assembleia até às dez da manhã desta quinta, quando segue para o enterro no Cemitério de Santo Amaro, no Recife.

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