Comissão de Agricultura vai a Petrolina e debate fechamento de matadouro público local

Em 09/05/2016 - 16:39
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AUDIÊNCIA – “Marchantes, comerciantes e feirantes foram à reunião para pedir a reabertura do equipamento.” Foto: João Bita

A Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa promoveu uma audiência pública, na última sexta (6), em Petrolina, no Sertão do São Francisco, para discutir o fechamento do matadouro público do município. Segundo a população local, a medida, em vigor desde fevereiro, vem prejudicando a cadeia produtiva da carne e incentivando o comércio clandestino.

A Prefeitura de Petrolina decidiu pelo fechamento do abatedouro após o ajuizamento de uma ação pelo Ministério Público de Pernambuco. A promotora Ana Cláudia Sena de Carvalho determinou que, enquanto não fosse construído um estabelecimento que atendesse às normas sanitárias e ambientais, o abate de animais deveria ser realizado na cidade vizinha de Juazeiro, na Bahia. O aumento da atividade clandestina, desde então, é de conhecimento público na cidade.

Para o negociante Edmilson Simão, que trabalha no comércio de animais para abate, a ação do poder público vem trazendo vários problemas para os comerciantes. “Aumentaram os impostos e o valor do abate, logo o custo do animal aumentou e diminuiu o lucro. A maioria dos marchantes que cortam carne nas feiras foi embora porque não tem condição de bancar esse valor que aumentou. Os funcionários do matadouro, que eram diaristas, estão todos desempregados”, ressaltou.

A gerente-geral da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro), Erivânia Camelo, fez um alerta sobre os riscos gerados por essa situação. Ela garantiu que pelo menos 95% do abate de caprinos e ovinos no Estado é clandestino. Erivânia também apontou que o matadouro de Petrolina está em condições precárias e só receberá laudo favorável da Adagro quando todas as exigências legais forem cumpridas. “É preciso fazer uma grande reforma no abatedouro, dotar aquele equipamento público de condições que garantam o bem-estar dos animais, assegurando que eles cheguem sadios e que seja produzida uma carne de qualidade.”

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ADAGRO – Erivânia Camelo explicou que órgão vai ampliar fiscalização em Petrolina. Foto: João Bita 

A gerente da Adagro, que também é médica veterinária, ainda registrou as condições preocupantes de higiene e conservação dos alimentos em pontos de venda, como feiras e mercados. Ela adiantou que a Adagro vai atuar em conjunto com a vigilância sanitária municipal para reforçar a fiscalização em Petrolina. Em resposta, os negociantes de carnes afirmaram que não têm condições de cumprir as normas e apelaram para que o matadouro local seja reaberto.

O deputado Odacy Amorim (PT) argumentou que a construção de um novo estabelecimento para abate de animais não representa custo, mas um investimento em saúde pública. O parlamentar sugeriu uma solução pactuada com a Prefeitura. “A minha proposta é uma audiência entre os deputados da região e o prefeito (Julio Lossio)”, afirmou.

O presidente da Comissão de Agricultura, deputado Miguel Coelho (PSB), defendeu uma parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Petrolina, voltada à construção de um novo equipamento para atender à região. O projeto, segundo ele, custaria em torno de R$ 6 milhões. O parlamentar criticou a ausência do prefeito Julio Lossio na audiência, mas fez um balanço positivo dos encaminhamentos da reunião.

“A gente sabe que a construção de um novo matadouro leva tempo. Pedimos, e a Adagro vai nos fornecer, um projeto de reforma do atual equipamento que está fechado. Tudo isso precisa ser debatido. Se não houver a reabertura do abatedouro, quem paga é a população, que vai comer carne perigosa, clandestina, sem segurança, e a saúde de todos estará em risco”, afirmou o socialista.

Miguel Coelho também informou que a Comissão vai buscar recursos para o setor junto à linha estadual de fomento e aos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento.