CPI dos Medicamentos prende médica acusada de praticar aborto ilegal

Em 21/11/2000 - 00:00
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CPI dos Medicamentos prende médica acusada de praticar aborto ilegal Por decisão do juiz da Primeira Vara Privativa do Júri do Recife, Pedro Odilon, a médica anestesista Mirlene Carvalho Rosado foi presa ontem à noite, após prestar depoimento à CPI dos Medicamentos. Mirlene Rosado foi recolhida ao presídio do Bom Pastor por envolvimento em dois casos de abortos ilegais, um deles teria sido praticado na casa dela, no bairro Sítio dos Pintos. Também motivou a decisão do juiz, o flagrante feito pela CPI na mesma residência, no dia 25 de agosto passado, quando os deputados e a polícia encontraram um aspirador usado em abortos e mais de mil caixas de medicamentos de venda controlada e que causam dependência como Dolantina e Valium.

“A CPI constatou várias contradições no depoimento da médica que evidenciam a participação dela na rede de distribuição de Dolantina”, afirmou o presidente da CPI dos Medicamentos, deputado Sérgio Leite (PT). As acusações contra a anestesista se tornaram mais evidentes com a acareação dela com o empresário Rodolf Pessoa de Queiroz Lugmayer (Dolfinho), que foi preso na semana passada na CPI por envolvimento em homicídio.

Dolfinho confessou que sua companheira, a empresária Ana Cristina Lundgren pagava mensalmente mais de R$ 10 mil a Mirlene pelo fornecimento de comida e medicamentos. “Mirlene mandava o material pelo taxista Moacir Costa e cobrava R$ 750,00 por cada caixa de Dolantina”, disse Dolfinho. O deputado Augusto César informou que cada caixa do medicamento com 25 ampolas, custa apenas R$ 40,07. A médica negou tudo, mas não convenceu os deputados.

Além Leite, os deputados Romário Dias (PFL), Fernando Lupa (PSDB) e Maviael Cavalcante (PFL) fizeram questionamentos que não foram respondidos pela médica.

Mirlene Rosado alegou que dispõe de um laudo médico com a confirmação de que a secretária Flávia Diones Pereira da Silva, de 25 anos, não estava grávida quando morreu. Sérgio Leite antecipou que existem indícios de irregularidades na emissão deste laudo, por isso vai convocar o médico legista para esclarecer a questão.

Presente na sessão da CPI, a mãe de Flávia, Erotildes Pereira se emocionou ao ouvir a médica negar os abortos e a distribuição da droga. Com a confirmação da prisão de Mirlene, ela de joelhos, rezou e pediu justiça. A CPI ouviu também o taxista Moacir, o empresário Rodolfo Mostaert e o irmão de Dolfinho, Antônio Pessoa de Queiroz. Os deputados investigam a participação dos três no esquema de consumo e distribuição de Dolantina, que tinha como base a casa de Cristina Lundgren, em Maria Farinha. (Pedro Henrique Marins)