CPI ouve depoimentos sobre interdições de laboratório e hospital

Em 09/08/2000 - 00:00
-A A+

CPI ouve depoimentos sobre interdições de laboratório e hospital A CPI dos Medicamentos ouviu ontem pela manhã empresários, médicos e pessoas residentes em Custódia, onde a Secretaria Estadual de Saúde interditou a indústria de medicamentos Imec e o Pronto Socorro do município.

Relatório da Secretaria de Saúde apontou casos de fraude no recebimento do Sistema Únicio de Saúde (SUS), que teria sido praticada em vários casos. Um deles trouxe ao auditório no qual se reuniu a CPI Nilma Cecília de Souza Ferraz, que fora atendida pelo médico José Humberto Medeiros de Souza na Clínica Joaquim Figueiredo.

Segundo a denúncia, a simples retirada de um sinal teve a guia remetida ao SUS dando conta de uma cirurgia com internamento. Ouvida pela CPI, que é presidida pelo deputado Sérgio Leite (PT), ela negou com veemência que tivesse sido submetida a tal procedimento. Em seguida prestou depoimento o médico José Humberto. Ele afirmou que fizera, na verdade, dois procedimentos: a retirada do sinal de Nilma Ferraz e outro, efetivamente uma cirurgia, na Sra. Iraci Pereira Félix.

O médico insinuou que teria ocorrido troca de fichas, embora o prontuário tenha sua assinatura.

Por sugestão do deputado Romário Dias (PFL), a CPI dos Medicamentos ouvirá auditores da Secretaria de Saúde para melhor situar-se na busca de delitos praticados em Custódia.

Por sua vez, Gilson Castelo Branco Araújo, do Imec, rebateu, munido de farta documentação, os motivos alegados pela Secretaria de Saúde para interdição de sua firma. E argumentou, na defesa, que o próprio órgão estadual elogiara seu laboratório como “um dos mais bem instalados de Pernambuco”.

Ele apresentou à imprensa inúmeras fotos coloridas com equipamentos modernos, protestando contra uma situação causadora de prejuízos em face da ação governamental. “Isso somente acontece porque somos nordestinos e, além do mais, de uma cidade do interior”, lamentou, assegurando que o excesso de burocracia dos órgãos públicos é, no final, o grande responsável por fatos desse porte. (A A)