CPI da Violência promove acareação com acusados

Em 28/09/2001 - 00:00
-A A+

CPI da Violência promove acareação com acusados A CPI da Violência da Assembléia Legislativa deu prosseguimento ontem aos depoimentos sobre a investigação da morte do soldado Genivaldo Lopes, do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRV). Ele foi assassinado a tiros, na noite do dia 31 de agosto passado, no Posto Ypiranga da Avenida Caxangá, após uma discussão no trânsito com o tenente Claudino dos Santos, do Batalhão de Rádio Patrulha (BPRP), apontado como o autor do crime. A reunião da CPI, presidida pelo deputado Pedro Eurico (PSDB), contou com a presença dos deputados Marcantônio Dourado (PMDB), vice-presidente da comissão, Antônio Moraes (PSDB) e Ranilson Ramos (PPS).A noiva do soldado Genivaldo Lopes, Ádina Pinheiro da Paz, participou de uma acareação com dois soldados do BPRP e mais três PMs do Serviço Reservado da corporação. Ela confirmou que todos estavam no local do crime e, ainda, que o noivo recebeu três tiros. O último disparo, segundo Ádina, ocorreu após a chegada do tenente Antônio Pires, também do Batalhão de Rádio Patrulha. “Nesse momento, meu noivo estava de joelhos. O tenente Pires e outro soldado (M.Silva) mandaram eu voltar para o carro, então escutei o terceiro disparo”, contou.Os soldados M. Silva e Américo alegaram que, ao chegar ao local, encontraram o soldado Genivaldo deitado. De acordo com eles, não foi feito nenhum disparo durante o tempo em que permaneceram no posto.

Ádina também denunciou que os PMs não socorreram o noivo, imediatamente, e teriam dado prioridade a outro ferido, Marcos da Silva, que estava com o tenente Claudino. Os soldados negaram. “As outras viaturas haviam ido embora, mas o tenente Pires solicitou o resgate”, afirmaram.O delegado Otávio Ferreira Júnior, que estava de plantão na delegacia do Cordeiro na noite do crime, também depôs como testemunha. O deputado Pedro Eurico questionou o fato de ele não ter autuado o tenente Claudino em flagrante. Em vez disso, fez um Auto de Apresentação Espontânea, pois o acusado havia se apresentado espontaneamente.O presidente da CPI também criticou a violação do local do crime. “Permitiram que o tenente retirasse o seu carro do posto.” O deputado Antônio Moraes também reforçou que o flagrante deveria ter sido feito na delegacia do Cordeiro. “Isso não ocorreu porque, como se sabe, houve pressão da PM”, observou. (C L)