Deputados querem mais atenção para o Semi-Árido

Em 13/11/2001 - 00:00
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Deputados querem mais atenção para o Semi-Árido O grande expediente da sessão plenária de ontem foi dedicado ao debate sobre a “Convivência com o Semi-Árido brasileiro”, atendendo a requerimento do presidente da Comissão de Agricultura e Política Rural, deputado Diniz Cavalcanti (PMDB) e sugestão do deputado Paulo Rubem Santiago (PT). Na abertura dos trabalhos, o parlamentar petista destacou a importância de discutir o tema para se buscar uma solução alternativa, diante da ausência de políticas públicas corretas e objetivas, que assegurem a permanência do homem no campo.

“O sertanejo não suporta mais políticas assistencialistas que não contribuem para solucionar o problema e, sim, para perpetuar as dificuldades”, afirmou Santiago, lembrando que visitou no início do mês, comunidades sertanejas no São Francisco e no Araripe e constatou um quadro de abandono. O deputado ressaltou a necessidade de defender a reforma agrária e de valorizar as atividades desenvolvidas por instituições sindicais, religiosas e sociais na luta para conviver com a estiagem. Ele destacou ainda as ações da Comissão Pastoral da Terra, Cáritas Brasileira, Articulação do Semi-Árido (ASA), que estiveram representadas durante o grande expediente, discutindo o tema.

Na presidência da sessão, o deputado Jorge Gomes (PSB) parabenizou Santiago pela iniciativa e ressaltou a importância do debate para construção de políticas públicas permanentes que garantam libertação do Semi-Árido.

Articulação– Representando a ASA, José Aldo dos Santos iniciou o debate, relatando as diversas ações desenvolvidas na Região nos últimos anos. Citou as articulações de movimentos sociais, igrejas, organizações não governamentais, associações e cooperativas, no sentido de mostrar a viabilidade do Semi-Árido.

Já o padre Hermínio Canova, da Pastoral da Terra, afirmou que o trabalho realizado pela comissão vem contribuindo na construção de um pensamento que não é de desgraça, mas sim de um lugar onde se pode viver apesar de todas as vicissitudes. Segundo ele, é preciso ainda combater a indústria da seca e o clientelismo eleitoral que acabam com a Região Semi-Árida.

Para Ângelo Zanré, articulador da Cáritas Brasileira, o grande desafio que o Semi-Árido impõe não é realmente combater a seca, e sim conviver com o fenômeno. “A água é um direito básico. O uso racional desse elemento é indispensável”. Ele defendeu a utilização de cisternas domésticas para a coleta da água das chuvas.

Segundo o secretário adjunto de Produção Rural e Reforma Agrária, Gabriel Maciel, o Governo de Pernambuco tem feito a sua parte, criando oportunidades para que sejam implantadas políticas públicas de incentivo à agricultura, como o replantio da cultura do algodão no Agreste.

Propostas – O deputado Ranílson Ramos (PPS) foi o primeiro parlamentar a se pronunciar sobre a questão em debate. Ele defendeu a municipalização das ações governamentais de modo a atender melhor os pequenos agricultores da região.

Para ele, o combate aos efeitos da seca realizado pelo Governo Federal não é confiável. Ranílson disse que não é o caso de fazer só a “prefeiturização” dessa assistência, mas de agregar ao trabalho organizações não governamentais e outras entidades municipais.

O parlamentar lembrou que a ação governamental sempre está atrasada em relação às iniciativas do sertanejo para escapar da seca. E a ajuda nem sempre tem alguma coisa a ver com as reais necessidades dele, afirmou.

O deputado Augustinho Rufino (PSDC) parabenizou Paulo Rubem por sua iniciativa e falou da condição do sertanejo. Segundo ele, são necessárias medidas para que o homem do campo conviva com a seca, e não tente fugir dela para os grandes centros urbanos, aumentando a violência e o desemprego.

Nélson Pereira (PCdoB), por sua vez, disse que, apesar do Nordeste ser uma região com grande potencial hídrico, está obrigado a conviver com os “efeitos nefastos das estiagens”. Ele afirmou que a política assistencialista federal torna os nordestinos dependentes de esmolas.