AL insiste na Justiça em punição para os responsáveis pelo IDR A decisão do juiz da 5ª Vara Cível de Caruaru e da 1ª Vara Criminal, Sérgio Paulo, de absolver os cinco acusados pelas 44 mortes ocorridas, em 1996, no Instituto de Doenças Renais (IDR) foi recebida com indignação pela Assembléia Legislativa. O presidente da Casa, deputado Romário Dias (PFL), participa, logo mais, às 16h, de uma audiência pública com o procurador-geral do Ministério Público, Romero Andrade, a fim de solicitar empenho do órgão para que agilize a apresentação do recurso contrário à decisão, ao Tribunal. “É preciso que esta Casa se posicione de maneira firme e para isso é necessário que nós, deputados, estejamos unidos nesta luta contra a impunidade”, disse o presidente.
O parlamentar questionou ainda os argumentos utilizados pelo juiz Sérgio Paulo, amplamente divulgados nos jornais locais. Entre outras coisas, o juiz disse que a falta de laudos oficiais e perícias técnicas que comprovassem a culpa dos acusados impossibilitou a condenação. “O deputado Roberto Liberato (PFL) denunciou as primeiras mortes há seis anos, aqui nesta Casa, e o então presidente, deputado Pedro Eurico (PSDB), imediatamente solicitou a instauração de uma CPI para apurar o caso. Elaboramos um relatório no qual ficava mais que provado que houve crime durante aquele processo e, agora, todos os envolvidos são inocentados. É inaceitável”, acrescentou o deputado.
Dias leu alguns trechos de depoimentos colhidos durante a CPI. Em um deles, o dono do IDR, Bráulio Coelho, disse que o Instituto tinha um técnico responsável pela água que era utilizada nos tratamentos. Ao colher o depoimento do técnico, os integrantes da CPI descobriram que ele não era químico e sim eletricista.
“Ele ainda disse que sabia se a água era boa ou não para ser usada no Instituto, de acordo com a cor e o cheiro que apresentava”, acrescentou. “Tudo foi entregue à Justiça e, apesar disso, o juiz acha que não tem provas suficientes para incriminar ninguém”, questionou Dias.
Em aparte, o deputado Roberto Liberato (PFL) também mostrou indignação com o andamento do processo. “Não esperávamos que, depois de seis anos, tendo passado pelas mãos de tantos magistrados, esse processo fosse terminar dessa forma”, disse o deputado.
Além da reunião de logo mais à tarde, o deputado Romário Dias disse que pretende realizar uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Caruaru, com os parentes das vítimas e os sobreviventes, com o objetivo de mobilizar o maior número de pessoas na luta pela punição dos culpados. “Enquanto vida parlamentar eu tiver, esse assunto será abordado aqui. Não tenho parentes entre as vítimas, mas tenho o sentimento de cidadão, de cristão, e não posso deixar isso ser esquecido”, concluiu.
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