CPI da Hemodiálise fará Justiça

Em 20/02/2002 - 00:00
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CPI da Hemodiálise fará Justiça O deputado Romário Dias condenou ontem, na tribuna da Assembléia, a ameaça de prescrição do processo sobre as mortes por hemodiálise, e conclamou as lideranças para exigir da Justiça punição para os responsáveis por aquela tragédia. Num discurso incisivo, indignado, o parlamentar mobilizou a Casa para manter contatos com presidente do Tribunal de Justiça, Napoleão Tavares, e apelar no sentido de agilizar o processo da CPI da Hemodiálise.

Romário, que foi presidente da CPI em 1996, lembrou que aquela Comissão foi marcante na história da Assembléia e daí não era possível calar, silenciar, diante do risco do processo ficar numa gaveta, ser jogado no lixo, sem resultado positivo para a sociedade. Adiantou que a CPI, no curso de sua ação, fez um exame rigoroso dos fatos, agiu com equilíbrio e seriedade, de sorte a buscar a verdade e apontar os responsáveis pelas mortes.

Durante as investigações – esclareceu -, concluidas em 90 dias, a CPI da Hemodiálise contou com a colaboração da Ordem dos Advogados, do Conselho Regional de Medicina, do Ministério Público, da área de saúde do Estado, dos médicos Francisco Trindade e Vitório Spinelli. O processo foi amplo, democrático, e a CPI teve a coragem de mexer numa área supostamente intocável, reunindo dados sobre o episódio.

Romário Dias recordou que a CPI, ao ser instalada, tinha a difícil tarefa de apurar as causas das mortes de mais de 20 pacientes submetidos a tratamento no Instituto de Doenças Renais de Caruaru. As investigações seguiram com o avanço das mortes, que logo atingiram mais de 40, e chegaram a somar mais de 100 pacientes ao final do processo.

O deputado Pedro Eurico (PSDB), em aparte, ressaltou a indignação cívica e a firmeza do parlamentar, que enfrentou ameaças quando presidente da CPI e agora mostrava determinação em cobrar providências do Judiciário. Adiantou que Romário e os demais integrantes da CPI fizeram o trabalho em 90 dias, enquanto a Justiça está há seis anos sem tomar providências.

Nessa linha de argumentação, os deputados Roberto Liberato, Orisvaldo Inácio, Antônio Mariano e Guilherme Uchôa destacaram as atividades da CPI, a conduta equilibrada e destemida do seu presidente, ao mesmo tempo que sugeriam entendimentos com o Poder Judiciário para concluir o processo e se posicionar com relação aos responsáveis pelas mortes. Após as intervenções, o deputado Romário Dias convocou as lideranças e os parlamentares presentes para formular apelo ao Presidente do Tribunal de Justiça.