Denúncias sobre a falta de recursos humanos e de materiais básicos para o atendimento médico, formalizadas pelo Conselho Regional de Medicina (Cremepe) e pelo Sindicato dos Médicos (Simepe), levaram a Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa e representantes dessas duas instituições a inspecionar, ontem, o Hospital Otávio de Freitas (HOF), localizado no bairro de Tejipió. Desde 2000, a unidade vem sendo reformada, porém, algumas das modificações na estrutura física também são alvo de reclamações da equipe médica.
“Antes de ser feito tanto investimento (aproximadamente R$ 7 milhões, provenientes do Estado, Reforsus e Orçamento Geral da União), a classe médica deveria ter sido consultada para sugerir um projeto funcional”, alegou o presidente do Simepe, André Longo. Já o conselheiro do Cremepe, José Tenório, disse que algumas das falhas só começaram a ser corrigidas, após a formalização da denúncia.
O Hospital Otávio de Freitas oferece atendimento em clínica médica, pediatria, psiquiatria, traumatologia e clínica geral, recebendo, em média, 500 pacientes por dia no setor de emergência. O número de médicos, no entanto, é inferior à demanda. “Deveriam ser seis clínicos a cada 12 horas, mas nunca conseguimos isso. Hoje (ontem), por exemplo, temos 55 pacientes aguardando e apenas dois médicos de plantão”, declarou o coordenador da emergência do hospital, Dário Espíndola. Outro problema, denunciado pelo médico Luiz Wanick, é a dificuldade em encaminhar os doentes a hospitais particulares conveniados à rede do SUS.
“Os hospitais particulares escolhem o que vão receber. Eles só querem atender pacientes que necessitem de procedimentos simples e rejeitam os doentes com maior complexidade”, denunciou.
Enfermeiros – Os pacientes também reclamam. Fernando Soares da Silva, que é filho da paciente Inês Francisca da Silva, 87 anos, disse lamentar o atendimento dispensado por alguns enfermeiros. “Minha mãe está internada há um mês, pois teve derrame, infecção e pneumonia. Alguns enfermeiros não têm paciência e, quando chamamos, passamos muito tempo esperando até que alguém venha atender”, comentou.
O presidente da Comissão de Saúde, deputado Sebastião Oliveira Júnior (PFL), considerou a falta de recursos humanos como o principal problema da unidade. “É preciso aumentar o efetivo de médicos, principalmente, clínicos. Verificamos que há investimentos significativos por parte do Governo Jarbas e sabemos, também, que a contratação de pessoal depende da disponibilidade financeira do Estado, mas vamos reivindicar”, declarou o deputado. Ele acrescentou outros dois itens problemáticos na unidade: a proximidade da pediatria com o setor psiquiátrico (sem a segurança necessária) e a quantidade de leitos da UTI. “Dos 14 existentes, nove estão desativados. O ideal seriam 28 leitos para atender a demanda”.
O gestor técnico de atenção à saúde do Otávio de Freitas, Luiz Otávio Souza Sampaio, disse que encaminhou à Secretaria de Saúde o pedido de 20 novas contratações, entre médicos e enfermeiras, e que a ampliação da estrutura física da emergência deverá acontecer em 60 dias, o que resultará num melhor atendimento à população.
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