Citando as mortes das adolescentes Maria Eduarda Dourado e Tarsila Gusmão, no mês de maio, no município de Ipojuca, litoral sul do Estado, a deputada Ana Cavalcanti (PP) discutiu, ontem, o crescimento da violência no País.
A parlamentar destacou que o aumento da violência não é um fenômeno isolado de Pernambuco, afirmando que, “entre 1992 e 1999, a média nacional de mortalidade por homicídios aumentou mais de 37%”. “Infelizmente, o Brasil lidera o ranking mundial de mortes violentas. Estamos na frente da Colômbia e de Israel, países que enfrentam permanente situação de conflito armado. E o Recife aparece no topo da lista de homicídios de jovens”, lamentou.
Sobre as mortes de Tarsila e Maria Eduarda, a deputada Ana Cavalcanti anunciou que enviará, junto com o deputado federal Severino Cavalcanti, um documento ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, solicitando a participação da Polícia Federal na apuração do caso.
“A intenção é nos engajarmos no movimento articulado pelos amigos e familiares de Maria Eduarda, que estão recolhendo assinaturas para um abaixo-assinado a ser encaminhado ao ministro da Justiça e ao presidente Lula, pedindo a intervenção do Governo Federal nas investigações”, justificou.
Em aparte, o deputado Antônio Moraes (PSDB) destacou, na questão das mortes das adolescentes, “nunca ter visto um caso de desqualificação de uma testemunha”, como o que aconteceu em relação ao crime.
Moraes censurou a forma como a única testemunha do caso foi tratada, lembrando que o fato pode dificultar, ainda mais, a disposição de pessoas de prestar informações em relação a crimes.
Os deputados Betinho Gomes (PPS), Roberto Leandro (PT) e Nélson Pereira (PCdoB) relacionaram alguns dos motivos que, segundo eles, colaboraram para que a violência se agravasse no País. De acordo com os parlamentares, entre as diversas causas estão a falta de investimentos na área social, durante muitos anos, o que provocou aumento da exclusão social e da miséria da população. Os deputados Manoel Ferreira (PP) e Jacilda Urquisa (PMDB) parabenizaram o discurso de Ana Cavalcanti e destacaram a importância de se levantar debates sobre o tema.
Já o deputado Alf (PTB) fez críticas ao modelo de segurança implantado pelo Estado. O parlamentar observou que a unificação das Polícias Civil e Militar, assim como a implantação dos Núcleos de Segurança Comunitária, “não têm dado os resultados esperados”.
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