Opresidente regional do PSDB, deputado Augusto César, ocupou a tribuna para fazer uma série de denúncias contra o diretor da Dires de Serra Talhada, Clóvis Carvalho, e o secretário estadual de Saúde, Guilherme Robalinho. O parlamentar apresentou um dossiê que, segundo ele, foi analisado pelo próprio secretário, e onde constam documentos que comprovariam dispensa de licitação, pagamento indevido de plantões médicos e apropriação indébita de recursos públicos, beneficiando particulares. “Apesar dos documentos, o secretário de Saúde disse que estava tudo certo”, disse Augusto César.
Em aparte, o deputado Sílvio Costa (PMN) defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar as possíveis irregularidades nas Diretorias Regionais de Saúde (Dires). “Essa documentação é mais do que suficiente para subsidiar juridicamente o pedido de instalação da CPI”, justificou.
Entre as denúncias apresentadas por César, estão uma possível duplicidade de nomeação do diretor do Hospital de Serra Talhada, o pagamento de R$ 30 mil para a construção de um prédio da Dires num terreno alugado ao motorista do diretor do órgão, para o qual foram pagos R$ 9,6 mil, em parcela única, referente a 24 meses de locação, e a existência de um documento assinado em branco pelo diretor, no qual poderiam, por exemplo, ser autorizados serviços. “A palavra final sobre isso vai caber ao secretário de Saúde, mas certamente vai respingar no governador Jarbas Vasconcelos”, disse.
O deputado Izaias Régis (PTB) disse que possuía um dossiê ainda mais “bombástico” do que o de César, contendo denúncias sobre possíveis irregularidades ocorridas no Hospital Dom Moura, em Garanhuns. “Eu tenho cópias de notas fiscais de serviços médicos para cobrir pagamentos de diárias de hotéis e de pagamento a plantonistas que nunca puseram os pés naquele hospital.
Tudo isso foi enviado ao secretário de Saúde ,mas, até hoje, ele não se pronunciou”, declarou.
Augusto César disse ainda que recebeu três relatórios que denunciam irregularidades no programa de cirurgias de catarata, “direcionado à Casa de Saúde do Dr. Clóvis”. “O hospital do Estado faz os exames e a cirurgia é feita no hospital do deputado federal Inocêncio Oliveira. Ou seja, o ônus vai para o Estado e o bônus para uma clínica particular”, denunciou. Os deputados Isaltino Nascimento (PT), Roberto Leandro (PT), Guilherme Uchôa (PDT) e André Luís Farias (PTB) apoiaram o pronunciamento de César ,destacando a necessidade de se apurar as denúncias. Já os deputados Ettore Labanca (PTB) e Bruno Araújo (PSDB) falaram apenas sobre a decisão do deputado Augusto César de abandonar a base governista.
A defesa das acusações ficou a cargo do deputado Pedro Eurico (PSDB), que se comprometeu( a ouvir as explicações do secretário de Saúde do Estado, mas questionou o fato de César só ter feito as denúncias num momento de crise política, em que decide abandonar a base de sustentação da aliança. “Se ficar comprovado que foi cometido algum ilícito certamente os culpados serão punidos”, concluiu.
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