Considerado um dos maiores ladrões de cargas do Estado, Josiel Josué da Silva, mais conhecido como Nem Barros, foi ouvido, ontem, pela CPI do Roubo de Cargas e Tráfico de Drogas, presidida pelo deputado Pedro Eurico (PSDB). Nem Barros foi preso no início deste mês, em Arapiraca (AL), e compareceu à Assembléia escoltado por policiais militares e civis de Alagoas e Pernambuco. Segundo a CPI, o acusado responde a 15 processos e um dos crimes mais recentes aconteceu em Iati, a 300 quilômetros do Recife. Nesse município, policiais da Delegacia de Repressão ao Roubo de Carga prenderam, em abril, quatro acusados de integrar a quadrilha de Nem Barros. Com eles, a polícia recuperou 30 toneladas de alimentos e centrais de ar-condicionado roubadas.
O acusado negou qualquer envolvimento no crime e, também, a confissão que havia assinado em Arapiraca, no momento em que foi preso. Um fato inusitado, porém, deixou Nem Barros em situação desfavorável. O desempregado José Suetônio do Nascimento, detido durante a operação policial em Iati, compareceu à reunião.
Ele já havia prestado depoimento à CPI e foi solto pela polícia. Ontem, porém, Suetônio foi convidado, casualmente, pelo advogado de Nem Barros, Gilvan Lima, para trabalhar como seu motorista. A CPI aproveitou a oportunidade e propôs uma acareação entre Nem Barros e Suetônio, que confirmou o envolvimento do acusado no roubo de cargas, em Iati.
O delegado de Repressão ao Roubo de Carga, César Urach, também depôs confirmando a confissão de Nem Barros e contando aos parlamentares detalhes sobre os processos contra o acusado. “Nem Barros foi desmascarado por um comparsa e isso contribuiu para os trabalhos da CPI. Ele lidera uma quadrilha de articulação nacional de roubo de cargas, que estava muito bem articulada no Nordeste”, declarou Pedro Eurico.
CPI – À tarde, a CPI fez uma nova acareação, desta vez, entre Nem Barros e Jair Cândido Gonzaga, mas o resultado foi irrelevante. Ambos negaram ter conhecimento sobre negócios escusos. Depois deles, foi a vez do comerciante Valdêmio Dutra da Silva Nascimento, do município de Vitória de Santo Antão, acusado de recebimento de carga roubada. Valdêmio negou que tivesse conhecimento da procedência da carga, mas afirmou que comprou um carregamento de cerâmica sem nota fiscal, oferecido por Suetônio, e disse ter reconhecido Nem, através de fotos, como sendo o homem que esteve em seu estabelecimento comercial acompanhando Suetônio, durante o pagamento da carga.
Os dois últimos depoimentos foram dos acusados de tráfico de drogas, Ivanete Luna e Jeferson da Silva. Detida em flagrante, em sua casa, com quase um quilo de pasta de cocaína, Ivanete negou que tivesse conhecimento sobre o conteúdo da mochila deixada por um cliente. “Conheci o Zezinho através de sua esposa, que estava na fila do Aníbal Bruno, indo visitar um irmão, numa das vezes em que fui visitar meu marido. Como sou costureira, Zezinho deixou duas calças para fazer a bainha junto com a sacola e disse que pegaria de volta, no outro dia.
Quando a Polícia Federal chegou, é que eu fiquei sabendo do conteúdo da bolsa”, declarou.
Jeferson Silva, preso em flagrante no aeroporto do Recife, quando, segundo a polícia, tentava transportar um quilo de pasta de cocaína para a Espanha, negou a acusação, mas confirmou que já viajou outras duas vezes para Portugal e Holanda, embora tenha dito que ganhava um salário de, aproximadamente, R$ 1 mil.
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