A CPI dos Planos de Saúde vai solicitar a quebra de sigilo fiscal e bancário dos ex-diretores da Unimed Guararapes e da seguradora, referente aos últimos cinco anos. Ontem, o diretor-financeiro da entidade, Carlos Roberto Domingues, depôs à comissão e responsabilizou a administração anterior por uma série de irregularidades. “Em abril de 2001, quando assumimos a direção da Unimed Guararapes, descobrimos um débito de R$ 5,8 milhões, sendo R$ 2 milhões em cheques emitidos sem fundo. Fomos a Brasília falar com a Agência Nacional de Saúde (ANS), que aceitou um plano de reestruturação da cooperativa. Negociamos prazos e, até dezembro, esperamos regularizar a maioria dos problemas”, declarou.
A comissão ouviu, também, o diretor-presidente do Hospital Geral de Jaboatão, José Luiz de Almeida Melo, que formalizou uma denúncia à CPI e à ANS sobre “o descredenciamento irregular da unidade de saúde e o não-pagamento de uma dívida de, aproximadamente, R$ 11 mil”. José Luiz contou que recebeu a notificação do desligamento da Unimed Guararapes, no dia 4 de fevereiro do ano passado.
“Legalmente, a seguradora teria que informar o fato com antecedência de um mês.
Denunciei à ANS mas, após um ano e sete meses, não recebi nenhuma resposta”, criticou. Ele acrescentou que Jaboatão tem 600 mil habitantes, sendo o segundo município mais populoso do Estado, e que o hospital era o único credenciado pela seguradora para “atender com comodidade” os moradores de Jaboatão Velho.
Domingues disse que “o descredenciamento para redimensionar a rede é um direito de qualquer seguradora” e negou a dívida junto ao Hospital Geral de Jaboatão.
“Devíamos cerca de R$ 32 mil à unidade de saúde e isso foi equacionado. Se houver pendências, solicito que a documentação seja apresentada”, argumentou.
Quanto ao descredenciamento, ele disse que o fato ocorreu porque a direção do hospital não aceitou renegociar prazos e ameaçou cortar o atendimento aos associados. Atualmente, a Unimed Guararapes conta com 22 mil usuários e arrecada, mensalmente, R$ 1,6 milhão.
“Vamos solicitar à ANS o processo que apura esse desfalque. Não pretendemos quebrar nenhuma operadora, mas queremos que as empresas tenham lastro financeiro para honrar seus compromissos”, declarou o presidente da CPI, deputado Sérgio Leite (PT). Domingues informou, ainda, que a ex-diretoria da Unimed Guararapes responde a processos criminais por formação de quadrilha e estelionato.
COMO CHEGAR