A discussão sobre a crise envolvendo o ministro da Saúde, Humberto Costa (PT), foi levantada por dois deputados, na tarde de ontem. Sérgio Leite (PT) creditou o “boicote” ao fato de o ministro ser considerado nordestino (Humberto nasceu em São Paulo, mas tem forte ligação com Pernambuco). Já Raimundo Pimentel (PSDB) desvinculou a crise de uma “possível manifestação preconceituosa” por parte de lideranças do Centro-Sul do País e argumentou que as críticas se devem às “nomeações políticas que, segundo ele, vêm sendo feitas no ministério”.
Leite abriu a discussão apresentando um balanço das ações realizadas por Humberto Costa, desde janeiro, e destacou “a luta do ministro para controlar o preço dos medicamentos, promover a livre concorrência entre os laboratórios e impedir o descumprimento à legislação que regulamenta os planos de saúde”.
“Quando se começa a organizar o que está errado, a ordenar toda uma estrutura viciada, começa-se, também, a incomodar”, acrescentou.
Os deputados Augusto César (PSDB), Izaias Régis (PTB), Maviael Cavalcanti (PFL), Sebastião Oliveira Júnior (PFL), Roberto Leandro (PT), Isaltino Nascimento (PT), Marcantônio Dourado (PMDB), José Queiroz (PDT) e Alf (PTB) foram unânimes ao defender a permanência de Humberto Costa à frente do ministério. Oliveira e Marcantônio, no entanto, discordaram da hipótese “perseguição a nordestinos”.
Ingerência – Em seu pronunciamento, o deputado Raimundo Pimentel citou, especificamente, a crise no Instituto Nacional do Câncer, onde, segundo ele, os cargos técnicos foram alvo de “barganha política”, contrariando os critérios adotados nas gestões anteriores.
Em aparte, o presidente da Casa, deputado Romário Dias (PFL), disse que as divergências políticas entre ele e o ministro existem, mas defendeu a permanência dele no Ministério. “É inadmissível que a honradez e a seriedade de um homem como Humberto Costa sejam colocadas em xeque por preconceito de estados como Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, que não admitem ver um nordestino ocupar uma pasta de tal importância”, declarou. O deputado Bruno Araújo (PSDB) lembrou o apoio dado pelo governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) ao ministro; e Isaltino Nascimento (PT), Ana Cavalcanti (PP), Adelmo Duarte (PFL), Nélson Pereira (PCdoB) e Roberto Leandro (PT) reafirmaram a defesa do nome do ministro à frente da referida pasta.
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