A atitude do presidente da Câmara Municipal de Olinda, Pedro Mendes (PSB), de impedir, anteontem, a entrada da prefeita Luciana Santos (PCdoB) no Parlamento, para reapresentar o projeto de lei do Executivo, solicitando autorização para contrair empréstimo no valor de R$ 55 milhões do BNDES, que serão investidos no Programa de Infra-estrutura em Áreas de Baixa Renda da Região Metropolitana do Recife (Prometrópole), gerou polêmica, ontem, na Alepe.
Em pronunciamento, a deputada Teresa Leitão (PT) criticou a ação do líder do Legislativo municipal, lendo nota oficial do diretório do PT olindense e um manifesto de desagravo e repúdio, assinado por 12 vereadores. A parlamentar contestou os argumentos de Mendes de que “era muito dinheiro”, em ano de eleição, uma vez que a contrapartida do Executivo para o programa era de apenas R$ 12 milhões. “Se existia esse descompasso, chamassem a prefeita e seu secretariado”, disse Teresa, acrescentando que a falta de ofício comunicando a visita também não justificava a ação.
O deputado João Fernando Coutinho (PSB), em pronunciamento, rebateu as críticas, alegando que a prefeita e sua comitiva queriam invadir a Câmara.
“Queriam coagir o Legislativo”, ressaltou o socialista. Quanto ao empréstimo, o deputado avaliou que era o mesmo que assinar um cheque em branco. “Após o Carnaval, o Executivo poderá explicar onde aplicará os R$ 40 milhões”, alegou João Fernando. O deputado Pedro Eurico (PSDB) concordou, alegando que “Luciana incorreu num equívoco”.
O presidente da Casa, deputado Romário Dias (PFL), Antônio Moraes (PSDB), Alf (PTB), Nélson Pereira (PCdoB) e os petistas Roberto Leandro e Isaltino Nascimento destacaram que o Parlamento era aberto a qualquer pessoa e que o presidente da Câmara não deveria ter impedido o acesso do chefe do Executivo.
“É um desentendimento desnecessário”, disse Romário. A solicitação para o empréstimo foi rejeitada pela primeira vez em dezembro do ano passado.
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