Evento debate dificuldades de acesso ao tratamento da diabetes em Pernambuco

Em 17/11/2025 - 17:26
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ESPERA – “Pessoas estão ficando cegas desnecessariamente”, lamentou Vanessa Pirolo, da Vozes do Advocacy. Foto: Nando Chiappetta

A necessidade de construir uma linha de cuidados para evitar complicações em pacientes com diabetes foi discutida em evento promovido pela Comissão de Saúde da Alepe nesta segunda (17). A atividade reuniu representantes do Governo do Estado e da sociedade civil organizada, além de conselhos e entidades médicas.

Segundo dados do Atlas da Diabetes 2025 apresentados no debate, enquanto o tratamento de um paciente recém-diagnosticado custa 1,5 mil dólares ao ano, as complicações multiplicam esses gastos por três, além de comprometer a capacidade de trabalho e a qualidade de vida.

A presidente da organização Vozes do Advocacy em Diabetes e Obesidade, Vanessa Pirolo, destacou a falta de acesso a especialistas, principalmente oftalmologistas e endocrinologistas. “Eu sei que existe um esforço para melhorar, mas temos 30 mil pessoas esperando aqui no Estado, e elas estão ficando cegas desnecessariamente”, lamentou. 

“Em Pernambuco, estão cadastradas no sistema 10.402 pessoas com diabetes e mais de 11 mil estão esperando por endocrinologista”, complementou Pirolo.

Endocrinologia

ATENDIMENTO – Fábio Moura propôs estratificar cuidados e investir na formação das equipes de assistência. Foto: Nando Chiappetta

Para o presidente da regional pernambucana da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Fábio Moura, o quantitativo de médicos especialistas é insuficiente para garantir todos os atendimentos, uma vez que a doença atinge cerca de 10% da população total do estado. Ele propôs a estratificação dos cuidados, associada à formação das equipes de assistência.

“O paciente mais simples, recém-diagnosticado e sem complicações tem que ser atendido no serviço básico, enquanto o paciente com diabetes tipo 1 ou tipo 2, mais complexo, precisa ser encaminhado para o especialista. Isso tem uma implicação prática, que é educar não apenas o médico, mas toda a equipe multidisciplinar na ponta para atender corretamente”, pontuou Moura.

Outro ponto defendido pelo médico foi a taxação de alimentos prejudiciais, como refrigerantes, e o imposto zero para aqueles que devem ser priorizados, como frutas e legumes.

Linha de cuidado

AÇÕES – Ana Paula Lucena relatou aumento em consultas e cirurgias bariátricas pelo Governo. Foto: Nando Chiappetta

Representante da Secretaria Estadual de Saúde, a diretora-geral de Linhas de Cuidado Assistenciais, Ana Paula Lucena, relatou incremento nas consultas e ampliação das cirurgias bariátricas. Também citou ações como a oferta de diálise peritoneal, que pode ser feita em casa, e as caravanas da hipertensão. 

A gestora também apoiou o fortalecimento da atenção primária, para que “deixe de ser meramente a porta de entrada de um doente”. “Que ela seja parte efetiva da construção desse processo de linha de cuidado, porque, sem cuidado na ponta, ela se fragmenta, indo no sentido oposto do nosso objetivo”, explicou.

O encontro também contou com a participação de representantes do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde, da Sociedade Brasileira de Diabetes e do Conselho Estadual de Saúde.

Ao final, o superintendente administrativo da Alepe, Roberto Andrade, informou aos participantes que a Comissão de Saúde seguirá “acompanhando os encaminhamentos do debate, cobrando ações concretas e contribuindo para que o direito à saúde seja uma realidade efetiva para todos os pernambucanos”.