
ATO – Auditório Ênio Guerra recebeu lideranças políticas e sociais de todo o Estado. Foto: Giovanni Costa
Uma cerimônia no auditório Ênio Guerra marcou a instalação, na quinta (25), da Frente Parlamentar pelos Direitos da População LGBTQIAPN+ da Alepe. Lideranças que atuam em prol da causa em todo o estado participaram da atividade. O colegiado busca enfrentar a violência e a discriminação, além de ampliar políticas públicas para essa comunidade.
Dados alarmantes
Autor da resolução e coordenador geral do colegiado, o deputado João Paulo (PT) lamentou que a população LGBTQIAPN+ seja uma das mais acometidas por crimes de ódio no Brasil. O parlamentar frisou que, de acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra), em 2024 Pernambuco foi o sétimo estado do país com o maior número de assassinatos de pessoas trans.

FESTA – Afoxé Oxum Pandá apresentou-se durante a cerimônia. Foto: Giovanni Costa
“Essa realidade mostra a urgência da frente parlamentar que hoje instalamos. Nossa missão será acompanhar e fiscalizar políticas públicas, propor legislações e assegurar igualdade, cidadania e proteção”, disse.
“Também vamos articular ações entre a sociedade civil, órgãos do governo e instituições de justiça, além de cumprir um papel educativo e simbólico, promovendo debates, campanhas, conscientização e iniciativas culturais que valorizem a diversidade”, emendou.
O parlamentar ainda abordou o Projeto de Lei (PL) nº 3345/2025, que prevê a destinação de 3% das unidades habitacionais em programas sociais do Estado para pessoas LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade. Segundo ele, o objetivo é oferecer acolhimento a quem foi expulso de casa e enfrenta dificuldades de inserção no mercado de trabalho, realidade que, em muitos casos, leva à condição de rua.
Democracia
Primeira deputada assumidamente lésbica da Alepe, Rosa Amorim (PT) ressaltou a importância da luta pela obtenção de direitos: “Não vai ter democracia por completo nesse país enquanto tiver travesti e transexual sendo assassinada; enquanto a nossa comunidade não tiver o direito de trabalhar, estudar, ter saúde pública de qualidade e vida digna”, afirmou.
A petista ainda relembrou o balanço realizado no início deste ano pela Agência Diadorim, que a elegeu como a terceira parlamentar que mais apresentou projetos que beneficiam a comunidade LGBTQIAPN+ no Brasil.

INTERIOR – Adriana Gomes defendeu a descentralização das políticas públicas. Foto: Giovanni Costa
Por sua vez, a deputada Dani Portela (PSOL) chamou atenção para os desafios na aprovação de leis voltadas ao tema. Ela classificou o cenário político pernambucano como conservador. “O cenário da política aqui em Pernambuco é conservador, com muitos parlamentares de direita, extrema direita e fundamentalistas religiosos que estão organizando no país inteiro uma onda de projetos de lei anti-LGBT e anti-população transsexual e travesti”, avaliou.
Representante da Rede LGBT Sertanejas, Adriana Gomes defendeu a interiorização das políticas públicas. “A primeira grande missão de vocês é ampliar e fazer com que as políticas que já existem no estado de Pernambuco funcionem de verdade e sejam descentralizadas”, apelou. Em resposta, João Paulo assegurou atenção à pauta e se comprometeu a organizar uma audiência pública voltada à causa.
A cerimônia também contou com a apresentação do Afoxé Oxum Pandá, a convite da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).