
RISCO – “Estudos apontam que os equipamentos dos cidadãos comuns acabam chegando às mãos dos bandidos.” Foto: Roberto Soares
“Quanto mais armas, mais cadáveres.” A declaração foi feita pelo deputado João Paulo (PCdoB) em pronunciamento na Reunião Plenária desta terça (15). A alta nos registros de armamentos feitos pela Polícia Federal chegou a 205%, na comparação entre o primeiro semestre de 2021 e o mesmo período de 2020. “Isso se deve às portarias e decretos assinados pelo presidente Jair Bolsonaro, cuja promessa de campanha era flexibilizar o acesso.”
O parlamentar recuperou o histórico do movimento armamentista no Brasil, desde o período colonial. “Nessa época e no Império, o Poder Público incentivava o porte, porque o Estado não tinha recursos para montar forças de segurança”, contou. “Nos anos 1980, os índices de criminalidade explodiram em razão da crise econômica e do ingresso do País na rota internacional do tráfico de drogas. Isso provocou uma corrida da população às armas”, prosseguiu o comunista.
Segundo ele, na mesma proporção em que os brasileiros se armavam, as mortes por tiro se multiplicavam. “Estudos apontaram que os equipamentos dos cidadãos comuns acabavam chegando às mãos dos bandidos”, ressaltou. O parlamentar lembrou que no final do século 20, após grande mobilização, foi criado o Estatuto do Desarmamento, e as mortes por arma de fogo caíram consideravelmente no Brasil.
“Mas, com a chegada de Jair Bolsonaro ao poder, a questão voltou ao debate, desta vez, permeada por ideologização e fetiche”, avaliou. “Esse estímulo acontece tanto por atos de membros do Governo Federal, quanto por meio das redes sociais, nas quais bolsonaristas exibem-se com fuzis e metralhadoras.”
O comunista acredita que o número de registros de armas nos últimos anos pode ser ainda maior, porque existe uma categoria de posse para colecionadores, atiradores esportivos e caçadores sob a chancela do Exército.
Publicidade de armas
O parlamentar ainda citou pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontando que, a cada 1% a mais de armas em circulação, há um aumento de 2% nos homicídios. “Vou me opor a qualquer proposta que venha a estimular o uso de armamentos, pois os alvos são sempre os mesmos: jovens negros e periféricos. A quem interessa ver gente pobre e preta sendo exterminada?”, indagou.
Nesse sentido, João Paulo anunciou que votará contra o Projeto de Lei (PL) nº 3037/2022, de iniciativa do deputado Alberto Feitosa (PSC), que estabelece normas para publicidade de armas de fogo no Estado. Em aparte, o autor defendeu o texto e acusou o colega de “nada ter feito em favor da segurança pública quando prefeito do Recife”. “Tínhamos os piores índices”, disse.
Em resposta, o deputado do PCdoB pontuou que “estava ocupado em investir em educação, cultura, saúde e saneamento básico para previnir a violência no futuro”.
Piso da enfermagem
No tempo destinado à Comunicação de Lideranças, João Paulo voltou a se pronunciar para manifestar apoio à luta dos profissionais de enfermagem. Na semana passada, a categoria foi às ruas exigir valorização por parte do Governo do Estado. Também defendeu a aprovação do PL nº 2564/2020, que institui o piso salarial nacional de enfermeiros, técnicos, auxiliares e parteiras. A matéria está em tramitação na Câmara Federal.
“A enfermagem de Pernambuco está completando 15 anos sem reajuste, acumulando uma perda de mais de 76,5% dos salários. Assim como os profissionais da educação obtiveram uma vitória recente com o Poder Executivo, os enfermeiros merecem ter seus pleitos atendidos”, opinou.
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