João Paulo lamenta destruição do patrimônio ambiental brasileiro

Em 03/06/2021 - 16:07
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OBSERVATÓRIO – Comunista repercutiu estudo em que o País aparece como líder mundial em perda de floresta primária. Foto: Roberto Soares

O deputado João Paulo (PCdoB) defendeu, nesta quinta (3), o impeachment do presidente Jair Bolsonaro como medida necessária para conter a devastação do meio ambiente no Brasil. Em pronunciamento feito durante a Reunião Plenária, o parlamentar ainda destacou as investigações contra o ministro Ricardo Salles, por suspeitas de enriquecimento ilícito e defesa dos interesses de madeireiros ilegais. 

“Nosso País tornou-se uma ameaça a todos os seres vivos do mundo, graças ao Governo Bolsonaro e a sua visão de exploração do meio ambiente. Especialmente na Amazônia, favorecendo a regularização de terras de grilagem e a invasão de áreas indígenas em benefício do agronegócio, da mineração e do garimpo ilegal”, afirmou.

O comunista repercutiu levantamento da plataforma on-line Global Forest Watch (GFW), em que o Brasil aparece na liderança mundial em perda de floresta primária. A quantidade de hectares destruídos em 2020 em incêndios e desmatamento (1,7 milhão) é três vezes maior que a do segundo colocado, a República Democrática do Congo. O aumento foi de 25% na comparação com o ano anterior.

Segundo o estudo, além da Amazônia, que concentrou a maior devastação, especialistas estimam que cerca de 30% do Pantanal queimou em 2020, incluindo diversas áreas protegidas e territórios indígenas. Os incêndios tiveram impacto devastador sobre a biodiversidade, com milhares de animais mortos ou feridos, incluindo onças-pintadas e outras espécies vulneráveis.

Investigação

João Paulo informou que o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ações de improbidade administrativa acusando o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de desestruturação intencional de políticas ambientais. “Caberia ao presidente da República e ao seu ministro evitar a tragédia. Mas o Brasil tem à frente da pasta uma pessoa acusada de contrabando ilegal de madeira.”

O comunista se refere à instauração, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de inquérito contra Salles pelos crimes investigados pela Operação Handroanthus, da Polícia Federal. A ação resultou na apreensão de cerca de 200 mil metros cúbicos de madeira extraídos ilegalmente por organizações criminosas. O deputado também lembrou que o Ministério Público de São Paulo investiga o salto patrimonial de R$ 7,4 milhões do ministro entre 2012 e 2018.

APARTE – Tony Gel observou que o desmatamento da Amazônia afeta todo o planeta: “Tesouro extraordinário”. Foto: Jarbas Araújo

“O Brasil se encontra à beira do precipício em termos ambientais e é dever da nossa geração evitar o pior. Os crimes ambientais já justificariam o impeachment. Se não agirmos, a Amazônia se tornará uma savana aberta para uma milícia que ataca a floresta com fogo e motosserras, além de mineradoras e daqueles que promovem a violência contra indígenas”, alertou.

Em aparte, o deputado Tony Gel (MDB) acentuou que a destruição da Amazônia afeta todo o planeta. Ele citou a presença, na região, do maior aquífero do mundo, além da evaporação diária equivalente a um Rio São Francisco, que leva chuvas para o Sul e o Sudeste. “Só a ignorância humana é capaz de jogar fora um tesouro tão extraordinário”, observou.

O tema também foi abordado pela deputada Jô Cavalcanti, das Juntas (PSOL), no tempo destinado à Comunicação de Lideranças. Ela criticou a atuação federal e cobrou providências ao Governo do Estado sobre “violações percebidas por movimentos ecológicos”. Como exemplos, citou um empreendimento turístico em Barra de Sirinhaém (Litoral Sul), o Arco Metropolitano, que deverá atravessar uma Área de Proteção Ambiental (APA) em Aldeia, e a instalação de uma usina nuclear no Sertão. ”Não somos contra o desenvolvimento, mas é a preservação dos recursos naturais que vai garantir nossa vida presente e futura”, assinalou.

Covid-19

Ainda no seu pronunciamento, João Paulo fez um apelo à Secretaria Estadual de Saúde para que os 600 oficiais de Justiça que atuam em Pernambuco sejam incluídos no grupo prioritário da vacinação.