Simone Santana e Juntas destacam 13 anos da Lei Maria da Penha

Em 06/08/2019 - 19:04
-A A+
VULNERABILIDADE - “Não estaremos seguras enquanto não fizermos mudanças na cultura que gera esses assassinatos”, considerou Simone. Foto: Roberto Soares

VULNERABILIDADE – “Não estaremos seguras enquanto não fizermos mudanças na cultura que gera esses assassinatos”, considerou Simone. Foto: Roberto Soares

Os 13 anos de existência da Lei Maria da Penha, a serem completados neste dia 7 de agosto, foram exaltados pelas deputadas Simone Santana (PSB) e Juntas (PSOL), na Reunião Plenária desta terça (6). Além da norma federal criada para combater a violência contra a mulher, as parlamentares relembraram o feminicídio de Mirella Sena, ocorrido em abril de 2017. O julgamento do caso, nessa segunda (5), resultou na condenação de Edvan Luiz da Silva a 30 anos de prisão.

“Mulheres de todas as classes e situações sociais são vulneráveis ao feminicídio. Não estaremos seguras enquanto não fizermos mudanças na cultura que gera esses assassinatos”, considerou Simone, ao ressaltar que a jovem foi estuprada e morta dentro do apartamento dela, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. 

“Da revolta, podemos criar mecanismos para que esse crime de natureza cultural deixe de acontecer”, afirmou a socialista. “A sentença é ainda mais importante por acontecer no aniversário de 13 anos da Lei Maria da Penha, que também é decisiva para coibir a violência contra a mulher e o feminicídio”, prosseguiu. Por iniciativa da deputada, a data da morte de Mirella Sena tornou-se o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio em Pernambuco.

DENÚNCIAS - “Norma foi um divisor de águas nas políticas de enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil”, frisou Jô. Foto: Roberto Soares

DENÚNCIAS – “Norma foi divisor de águas nas políticas de enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil”, frisou Jô. Foto: Roberto Soares

“A Lei Maria da Penha foi um divisor de águas nas políticas de enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil. Passamos a denunciar mais esses crimes e buscar ajuda para nos fortalecermos”, enfatizou Jô Cavalcanti, que representa o mandato coletivo Juntas.

A parlamentar do PSOL também registrou a diminuição em 19,7% no número de assassinatos de mulheres entre o primeiro semestre de 2019 e o de 2018. Dos 102 casos de mulheres assassinadas até junho deste ano, 27 foram classificados como feminicídios, contra 35 do período anterior. “Mesmo considerando a redução dos índices, é assustador o número de mulheres que perdem suas vidas por conta do machismo”, lamentou.

Além do caso Mirella Sena, Jô Cavalcanti lembrou a morte de Patrícia Cristina Wanderley, em novembro de 2018, após o carro em que ela estava ser jogado contra uma árvore pelo ex-companheiro, segundo investigação da Polícia Civil. O suspeito do caso, Guilherme José Lira dos Santos, obteve habeas corpus em maio deste ano, mas a medida foi revogada hoje, pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), e ele deve voltar à prisão. “Estivemos com a família da vítima no julgamento do habeas corpus. É muito importante que nós, mulheres, fiquemos juntas nesses momentos”, declarou Jô.