Deputados pedem quebra de sigilo bancário de Boudox

Em 24/12/2003 - 00:00
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O médico e coronel reformado da Polícia Militar Sílvio Boudoux terá o sigilo bancário quebrado pela CPI do Tráfico de Órgãos da Alepe. A solicitação foi feita, ontem, pelo presidente da comissão, deputado Raimundo Pimentel (PSDB), durante o depoimento de Boudoux, que está detido no Quartel da Polícia Militar, no Derby, acusado de emitir requisições de exames para “doadores” de rins que participaram de transplante na África do Sul.

“Queremos avançar nas investigações”, disse o presidente, que considerou as explicações do médico “contraditórias e inconsistentes”. “O depoimento reforça, ainda mais, a hipótese de que o coronel dava suporte à quadrilha”, ressaltou o tucano.

O médico negou fazer parte do “esquema” e disse que seu nome foi usado pelo capitão da reserva Ivan Bonifácio da Silva, que também está preso, acusado de intermediar a venda de órgãos. “Atendi a algumas solicitações do capitão, mas, desde que ele saiu da Associação Médica da Polícia Militar, só o encontrei duas vezes”, esclareceu Boudoux, acrescentando que o capitão era diretor de Patrimônio da associação.

O coronel também acusou o Laboratório Gilson Cidrim de oferecer “facilidades”.

“Eles não poderiam colocar, nos exames, meu nome como médico responsável, sem que houvesse uma solicitação anexada ao prontuário”, lamentou, insinuando, ainda, a participação de urologistas e nefrologistas pernambucanos no tráfico.

“Mesmo considerando o estado de pobreza dos “doadores”, eles não fariam o transplante sem ter um suporte no Recife”, destacou.

Em outro depoimento, Gilson Cidrim, proprietário do laboratório de mesmo nome, entregou quatro cópias de cheques sem-fundos, que serviram para pagamento de exames, e uma relação dos pacientes encaminhados ao laboratório por Boudoux. Os cheques foram supostamente assinados por João Cavalcanti Nascimento Júnior, filho de um dos indiciados pela polícia como aliciador.

Cidrim admitiu que o laboratório não exige requisições médicas em exames particulares. “Não é correto, mas todos os laboratórios adotam essa prática”, justificou, alegando que “a preferência por sua empresa deve-se à qualidade técnica e à agilidade na entrega dos resultados”. “Não acredito em envolvimento de funcionários”, disse. Dos 35 pacientes encaminhados por Boudoux, apenas três estão sendo indiciados pela Polícia Federal.

Os integrantres da CPI farão uma reunião interna, ainda sem data prevista, para definir os próximos encaminhamentos.