Collins é contra comemoração lésbica

Em 03/09/2003 - 00:00
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A audiência pública realizada na Assembléia, na última sexta-feira, em comemoração ao Dia da Visibilidade Lésbica, foi condenada, ontem, pelo deputado Cleiton Collins (PTB). “Como pastor evangélico, não poderia deixar de registrar oficialmente a minha posição”, disse, fazendo referência à matéria publicada no Diário Oficial do Legislativo, no dia 30, que traz a declaração de que “as lésbicas são cidadãs que buscam uma possibilidade diferente de ser feliz e precisam ser respeitadas nos seus direitos”.

“Concordo que elas não podem ser discriminadas, assim como o próprio senhor Jesus não discrimina ninguém, pois Ele ama o pecador, mas abomina o pecado”, lembrou, citando vários versículos da Bíblia, em alusão ao “ato pecaminoso dos homossexuais”. “Não te aproximarás de um homem como se fosse mulher, porque é uma abominação”, leu.

O deputado também criticou a distribuição, durante a audiência, de uma agenda telefônica, que traz na contracapa dicas de como evitar doenças sexualmente transmissíveis “É um incentivo à imoralidade, não tem nenhuma informação”, comentou Collins. O deputado Manoel Ferreira (PP), que também é pastor, uniu-se ao colega, repudiando o evento e o homossexualismo. Ele disse que, desde 1996, debate o assunto com seriedade na Casa e não é uma voz isolada.

Os deputados Pedro Eurico (PSDB), Sílvio Costa (PMN), Isaltino Nascimento (PT) e o presidente da Comissão de Defesa da Cidadania, que promoveu a audiência pública, Roberto Leandro (PT), defenderam a liberdade e o direito de os homossexuais se expressarem. “Direitos garantidos pela Constituição Federal, que assegura a igualdade entre todos”, lembraram eles. “São pessoas humanas que trabalham, estudam, têm falhas e virtudes e têm de ser tratadas com igualdade”, alegou Eurico. Ele também rebateu as críticas sobre a agenda telefônica.

O deputado Soldado Moisés (PL), que é evangélico, defendeu a luta das mulheres lésbicas. “Não costumo envolver questões religiosas com políticas”, explicou.

“Cada pessoa tem o seu direito”, salientou Leandro. Nascimento observou que todos deveriam seguir um dos principais ensinamentos de Cristo: “Amai-vos uns aos outros e ao próximo como a ti mesmo”. Maviael Cavalcanti (PFL) elogiou Collins por tratar o assunto e recriminou a “falta de seriedade” de alguns deputados que riam durante o debate. “Esse assunto não pode ser tratado com brincadeiras’, disse.