AL tenta conter conflitos no campo

Em 13/08/2002 - 00:00
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AL tenta conter conflitos no campo “Nunca a Zona da Mata teve tantas perspectivas de um desenvolvimento definitivo, proporcionando ao trabalhador condições dignas de vida, isso em face de programas como o Promata (com liberação de US$ 90 milhões do BID e contrapartida do Governo do Estado), além da iminente desapropriação de terras da Usina Central Barreiros, pelo Incra, assentando cerca de mil famílias”.

Este posicionamento foi externado pelo deputado João Braga (PV), presidente da Comissão de Defesa da Cidadania, ontem, durante Audiência Pública realizada para debater conflitos naquela unidade industrial, cujas falência foi decretada há cinco anos.

A Audiência realizou-se em atendimento a coordenadora do Movimento dos Trabalhadores do Brasil (MTB), Marta Veloso, preocupada com ocupações promovidas por integrantes do Movimento dos Trabalhadores (MT), em engenhos da Central Barreiros, segundo argumentou.

Durante o encontro, representantes dos dois segmentos trocaram acusações mútuas, cada um creditando ao outro o clima de tensão existente na área com choques entre trabalhadores e ameaças às famílias e aos coordenadores dos movimentos. Um trabalhador do MT ferido em tiroteio entre as facções esteve presente à Audiência Pública. Para Marta Veloso, do MTB, a pacificação é indispensável, e “o primeiro ingrediente para se atingir uma melhor situação econômica na Mata Sul”. Já Renato Carvalho, do MT, ironizou a questão dizendo que o MTB quer transformar a Comissão de Cidadania em Boletim de Ocorrências.

João Braga administrou os debates, evitando que os antagonistas se exaltassem, e apelou ao coronel Cláudio José da Silva, comandante do Policiamento do Interior, para acompanhar a situação em terras da Central Barreiros, tendo este assegurado que a PM está pronta a agir com rigor.

Geraldo Eugênio, superintendente do Incra, confirmou que o processo está “quase pronto” em Brasília e a qualquer momento ocorrerá a desapropriação, beneficiando 19 engenhos da usina. Eugênio conclamou os grupos a se entenderem, dizendo que “a luta entre os trabalhadores a nada conduz, podendo até ameaçar o processo tão aguardado”. Ele teme o que se registrou com a Usina Aliança, na Mata Norte, cujo processo de desapropriação ficou prejudicado por ações de grupos que ocuparam as terras.

Braga solicitou a Geraldo Eugênio que encaminhasse à Comissão de Cidadania, os cadastros das famílias que serão contempladas com imissão de posse, logo após o Incra oficializar a desapropriação da antiga Usina Central Barreiros. Eugênio entende, no entanto, que seria mais conveniente aguardar o desfecho do processo em Brasília. Mas reiterou: “o órgão federal vai legitimar quem efetivamente tem direito, quem mora há anos nos engenhos, evitando paraquedistas”, disse.

Braga informou que ainda este mês haverá outra Audiência Pública reunindo autoridades, associações, trabalhadores, tendo na pauta problemas da Zona da Mata.