Negromonte classifica denúncia sobre escuta como irresponsável O primeiro-secretário da Assembléia Legislativa, deputado João Negromonte (PMDB), fez um pronunciamento indignado em resposta às denúncias feitas pelo deputado Sérgio Leite (PT) sobre uma possível compra de um aparelho de escuta por parte da Casa Militar. O petista fez um pedido de informações sobre o caso ao Governo do Estado, baseado em supostas denúncias obtidas por ele e também divulgadas na mídia. Para Leite, se for confirmado, o fato representa uma afronta à cidadania. Negromonte reagiu: “É uma denúncia irresponsável, ninguém pode usar essa Tribuna para fazer uma acusação desse tipo”.
Sérgio Leite retrucou, cobrando explicações do Governo e afirmando que a questão é “gravíssima, e põe em risco a democracia”. “Além de ser uma ação ilegal, uma vez que só as polícias Civil e Federal é que têm o direito de praticar a escuta mediante autorização judicial”, disse o parlamentar.
O discurso do petista gerou uma grande polêmica entre os demais membros do Legislativo. Em apartes, vários parlamentares questionaram seu posicionamento e exigiram provas para as denúncias. Para o deputado Pedro Eurico (PSDB), Sérgio Leite deveria ser mais responsável e menos ingênuo. “Em vez de fazer um floreio de acusações descabidas, se acredita nas denúncias, que traga fatos concretos e não deixe essa grave denúncia solta no ar”, afirmou.
O deputado André Campos (PTB) ressaltou que é importante que ninguém fique no “disse-me-disse”, e que é necessário que sejam apresentadas provas antes da Casa se posicionar sobre o assunto. Para o deputado João Braga (PV), “o que vale não é saber se o aparelho foi ou não comprado, mas sim de que forma ele será utilizado”.
O deputado Carlos Lapa (PSB) disse que entendia os posicionamentos de João Negromonte e Pedro Eurico devido à maneira como as denúncias foram feitas, mas julga importante que elas sejam apuradas. “A compra do equipamento e o fato de não ter sido licitada devem ser apurados, bem como o motivo de ter sido promovido o capitão que fazia as escutas e, ao mesmo tempo, ser exonerado das funções quando a coisa tomou certa amplitude”, frisou o socialista.
Irresponsabilidade João Negromonte respondeu aos ataques dizendo que, pela lei, esse tipo de equipamento dispensa licitação. E reafirmou que Sérgio Leite cometeu uma “grande irresponsabilidade”, não só como parlamentar mas como policial, ao afirmar que Pernambuco não tem aparelho de escuta. “Isso não deveria ser dito, é um incentivo ao sequestro, à violência, ao roubo. Vossa Excelência levantar um tema desse aqui, nas condições em que está levantando, é uma total e absoluta falta de bom senso”, disse.
Pedro Eurico defendeu que uma polícia moderna tem que usar de mecanismos tecnológicos avançados. “No caso do sequestro do filho do prefeito do Cabo, na semana passada, a polícia conseguiu chegar até o cativeiro através do rastreamento das ligações telefônicas, feito com ordem judicial. E isso faz parte do Estado de Direito porque a sociedade precisa se defender e combater o crime legalmente”, lembrou.
Leite se defendeu dos rebates dos demais parlamentares e prestou esclarecimentos. “Não estou aqui para acusar o governador ou qualquer outra pessoa, mas sim para demonstrar a minha preocupação com as denúncias e por isso vou pedir as informações necessárias para o esclarecimento do caso”, falou.
Carlos Lapa endossou o pedido de Leite e aproveitou para sugerir à CPI da Violência que ouça o capitão da PM Nildo Dino, que, segundo o deputado, passou as informações para o petista.
Irredutível, João Negromonte disse que o primeiro passo que Leite deu foi o pronunciamento, denunciando, quando a regra do bom senso manda que primeiro fossem solicitados os esclarecimentos e só depois, caso existissem provas concretas, fossem feitas as denúncias em Plenário. “Eu acho que se cometeu hoje, nesta Casa, um ato absurdo, injusto e irresponsável”, concluiu.
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