Oposição quer comissão suprapartidária para mediar o fim da greve na Polícia

Em 31/10/2000 - 00:00
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Oposição quer comissão suprapartidária para mediar o fim da greve na Polícia O deputado João Paulo (PT), após ser eleito prefeito do Recife, voltou à tribuna da AL para propor negociação com os policiais militares em greve. Ele apresentou um requerimento, com 15 assinaturas, para criação de uma comissão suprapartidária com função de intermediar o diálogo entre Governo e grevistas.

Requerimento nesse sentido também já havia sido apresentado por José Aglailson (PSB).

“A Assembléia é um poder independente do Executivo, que tem espaço para negociar”, argumentou João Paulo. Ele lembrou que, antes da deflagração da greve, propôs audiência pública com a participação de representantes do Governo do Estado para discussão com os policiais militares. “A proposta não foi aceita porque alegaram que teria função eleitoral”, disse.

Ele destacou que o erro está na concepção da greve dada pelo Governo. “O problema é político. O governo não pode continuar tratando o Legislativo como se fosse uma correia de transmissão do Executivo. Trata-se de um Poder independente que está na sua competência criar uma comissão para negociar o fim do impasse”, afirmou.”Queremos que a comissão a ser formada negocie anistia para os PMs que partiparam da greve, pagamento dos dias parados e outros pontos”, concluiu.

Preocupação – O líder do PT, deputado Sérgio Leite, demonstrou ontem sua preocupação com o prolongamento da greve da P M, que já dura 12 dias. “A tática do governo de empurrar o problema com a barriga, de chamar os PMs de amotinados e até de marginais está provando que não vai dar em nada”, previu. Também na defesa da criação da comissão, o deputado lembrou que a AL teve papel importante na greve da PM de 97, “quando interferiu e conseguiu construir uma solução”.

De acordo com Leite, a atuação da comissão será fundamental para estabelecer garantias de que as medidas a serem acordadas serão cumpridas. “Se a comissão não atuar diante dos impasses a revolta da categoria pode ser geral”, previu.

Para Sérgio Leite, o problema eleitoral “está superado e o governo deve se desarmar e tentar construir uma solução para a greve”. Ele acredita que o fim do movimento pelo rendimento dos PMs vai representar queda do estímulo dos profissionais de segurança. “Fui mal interpretado aqui pois jamais critiquei a postura do presidente da AL, deputado José Marcos, que desde o início da greve de prontificou a negociar uma solução”, concluiu O líder do PSB, deputado Pedro Eurico, também defendeu a criação da comissão para tentar negociar o fim da greve da PM. Ele ressaltou a necessidade de se evitar a tese da vitória por “esmagamento” da corporação. “A PM tem quase 180 anos de tradições e uma história a ser preservada. Logo, não interessa ao Governo nem a ninguém esmagar os grevistas”, advertiu. (Ana Lúcia Lins/ Pedro Marins)