Deputados defendem saída negociada para greve A presença dos policiais militares em greve nas galerias da Assembléia Legislativa desencadeou uma série de pronunciamentos de parlamentares em relação ao assunto. O primeiro a falar foi Sérgio Leite (PT), que criticou o Governo do Estado, acusando-o de “equivocado” pela forma como vem conduzindo as negociações.
“Trata-se de uma irresponsabilidade do atual governo, que não quer dialogar”, acusou, afirmando que não será com repressão ao movimento que os governistas conseguirão chegar ao fim da greve. “Só como a mediação dessa Casa é que chegaremos a um resultado de consenso”, defendeu.
Em aparte, o deputado João Paulo (PT) lembrou que, antes do movimento ser desencadeado, havia proposto, como presidente da Comissão de Cidadania, uma audiência pública com a presença de secretários de Estado para discutir a política de segurança. “A bancada do governo disse, na ocasião, que os secretários não viriam, para que a iniciativa não tivesse caráter político”, assinalou o petista, criticando o endurecimento do Governo do Estado com os grevistas.
“A máscara desse Governo começa a cair, porque estão tentando imbecilizar o povo pernambucano”, atacou, por sua vez, o deputado Carlos Lapa (PSB). Ele afirmou que o Governo mente ao anunciar na imprensa que os policiais recebem R$900. “Desafio o governo a pagar isso. Se acontecer, tenho a garantia dos policiais que a greve acaba” Já o deputado Pedro Eurico (PSB) defendeu que é preciso negociação diante do impasse. “Não interessa a ninguém o processo de radicalização”.
Reflexão O líder do Governo, deputado Romário Dias (PFL), sugeriu uma reflexão sobre a greve, reconhecendo que a PM “precisa ser mais aparelhada, melhor remunerada, e que o Estado tem o dever de defender a ordem, a tranqüilidade, zelar pelo cumprimento da Constituição e pelo respeito à lei”.
Dias elogiou a PMPE, “que é uma das melhores do país”, e apelou aos militares para voltarem aos quartéis, “pois a Constituição estabelece direitos e deveres que devem ser observados”. Para ele, os policiais são “a garantia da ordem e da segurança e devem aguardar a mediação do Legislativo”.
Pedro Eurico voltou a insistir na urgência de um acordo, “mas sem falar em punição, e sim em anistia para os grevistas”. Antônio Mariano (PFL) também defendeu o diálogo, sugerindo que “cabe a todos desenvolver esforços para superar esse momento difícil na vida do Estado”. Ele questionou também aspectos do movimento, mas basicamente sustentou a tese predominante da negociação.
Por fim, Romário Dias reafirmou sua crença numa saída negociada, segundo a qual os líderes devem examinar as possibilidades de melhoria salarial, das condições de trabalho, visando alcançar o objetivo do Governo e da sociedade, “que é a manutenção da ordem”. (Ana Lúcia Lins/Nagib Jorge Neto)
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