CPI ouve médica acusada de praticar abortos ilegais A CPI dos Medicamentos ouviu ontem o depoimento da médica Mirlene Rosado de Oliveira, que é acusada de prática ilegal de aborto e de armazenar medicamentos controlados, sedativos e abortivos. Ela negou todas as acusações e disse que “jamais” praticou aborto. Seu depoimento foi questionado pela dona de casa Erotildes Pereira da Silva, que a denunciou como responsável pela morte de sua filha, Dione Pereira, em novembro do ano passado, após um suposto aborto mal sucedido.
“Minha filha morreu nas mãos dela”, acusou Erotildes, afirmando que tem um documento de sua filha com data, local, horário e preço do aborto (R$ 600,00), além de todos os telefones da médica Mirlene Rosado. “Isso é uma mentira. Nunca vi a sua filha nem tenho clínica de aborto”, rebateu Mirlene, afirmando que está aposentada há dois anos.
De acordo com o presidente da CPI, deputado Sérgio Leite (PT), o caso continuará a ser investigado pela polícia. “Está difícil para a médica negar seu envolvimento nesse caso”, afirmou, assinalando que a Comissão poderá convocá-la para novo depoimento.
Durante a sessão, em que também foi autorizada a quebra de sigilo telefônico, fiscal e bancário da médica, outro depoimento comprometeu Mirlene Rosado. O motorista de táxi Gilmar Andrade afirmou que transportou Dione Pereira, “que demonstrava sentir dores”, até a residência da médica, numa manhã de domingo.
Segundo informações da mãe de Dione, Erotildes, sua filha teria desaparecido no dia 31/10/99. Cinco dias depois, ela registrou a queixa na delegacia da Macaxeira, tendo localizado o corpo da filha enterrado no Cemitério Parque das Flores, como indigente, após ter sido encontrado num “lixão”, em Candeias.
Processo – Mirlene Rosado tam-bém responde a um processo criminal pela morte da jovem Rosineide, que residia em Itamaracá e teria morrido dentro da sua clínica, no Rosarinho, em 1995. “Tive medo e por isso passei a noite com o corpo dela na clínica”, justificou Mirlene, que não chamou a polícia após a constatação da morte. Ela afirmou, ainda, que a medicação que armazenava em sua casa é de propriedade da amiga Ana Cristina Lundgren e também proveniente das sobras de sua clínica, que foi fechada em 95.
Sigilo – Em outro depoimento, a advogada de Ana Cristina e que já representou Mirlene Rosado, Roberta de Abreu e Lima Alencar, não quis fazer comentários envolvendo o nome de sua cliente, alegando o direito ao sigilo profissional, o que irritou os deputados. “Nós estamos investigando seu envolvimento como intermediadora entre Ana Cristina e traficantes e chantagistas”, afirmou o deputado Sérgio Leite. (Ana Lúcia Lins)
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