CPI dos Medicamentos insiste na apuração do caso do soro

Em 18/07/2000 - 00:00
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CPI dos Medicamentos insiste na apuração do caso do soro A CPI dos Medicamentos ouviu ontem os depoimentos do secretário estadual de Saúde, Guilherme Robalinho e do seu antecessor Giliatti Falbo, sobre os procedimentos adotados pela secretaria no caso da contaminação pelo soro Ringer Lactato. Em 1997, após receberem o soro, 82 pacientes se contaminaram, 37 tiveram quadro de saúde agravado e morreram. Os outros 45 ficaram com seqüelas.

Antes do início dos depoimentos, a CPI se reuniu reservadamente para decidir sobre a acareação entre o diretor geral do Laboratório Endomed, que produz o soro, João Pedrinelli e diretores dos hospitais onde o produto foi aplicado, Francisco Fernandes Vieira (Santa Joana) e José Aécio Fernandes Vieira (Memorial São José).

Por cinco votos a três, a CPI resolver adiar o encontro e solicitar a contratação de um técnico para embassar mais as investigações. A decisão provocou a reação dos deputados André Campos (PTB) e João de Deus (PL), suplentes da CPI, que se desligaram da comissão. O terceiro voto contra o adiamento foi do presidente da CPI, deputado Sérgio Leite (PT). Em seguida, o advogado das vítimas, João Humberto Martorelli anunciou que a CPI não tinha mais legitimidade para apurar os fatos e todos os familiares das vítimas presentes se retiraram da reunião. O fato gerou protestos de todos os integrantes da CPI, que se sentiram desrespeitados pela atitude do advogado.

“Independente da presença dos familiares as investigações vão continuar porque temos compromissos. Faremos a acareação mais na frente se for necessário e repudio a postura do advogado”, afirmou o deputado Garibaldi Gurgel (PMDB).

Sérgio Leite lembrou que a CPI não investiga apenas o caso do soro Ringer Lactato e confirmou a determinação da comissão de apurar e cobrar punições sobre vários crimes relacionados com os medicamentos. De acordo com o petista, os deputados e técnicos que auxiliam os trabalhos vão continuar atuando para conter os abusos como a falsificação e adulteração de remédios e sonegação fiscal, entre outros.

Atendendo solicitação da CPI o secretário de Saúde decidiu evitar o uso de produtos da Endomed nos hospitais públicos. Robalinho afirmou que só existe pequena quantidade de soro e solução eletrolítica de um estoque para combater a cólera. Por indicação do deputado Ranilson Ramos (PPS), a CPI vai enviar consulta à Procuradoria Geral do Estado e ao TCE se o Endomed pode ficar impedido de participar de licitações do Estado.

Em seu depoimento, Falbo afirmou que tomou providência na época para identificar o problema. Ele lembrou que exames laboratoriais confirmaram a contaminação pelo soro. A CPI tem reunião administrativa na tarde de hoje.

(Pedro Marins)