Saúde discute cursos de Medicina Comissão de Saúde abre discussão sobre qualidade de ensino nas universidades Criar novos cursos médicos, manter somente as duas faculdades de Medicina existentes no Recife ou melhorar o nível de ensino. O dilema, do maior significado para a saúde do povo pernambucano, à mercê de um sistema combalido de atendimento que atinge todo o território brasileiro, foi debatido ontem pela manhã pela Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa.
Sob a presidência do deputado e médico Jorge Gomes, o colegiado ouviu opiniões de vários segmentos, uníssonos num linha em defesa de uma melhor qualificação das escolas de medicina que ponham formandos cada vez mais capacitados não vendo razão para abertura de novos cursos.
“Está-nos inquietando essa possibilidade, a partir de decisão do Conselho Estado de Educação”, afirmou incisivo o vice-reitor da UFPE, Geraldo Pereira, contrário a rumos que resultem em qualquer outra unidade de ensino médico. Ele foi taxativo, prevendo “danos irreparáveis ao exercício da profissão” se isso ocorrer. E pondera que se deve estudar melhor a legislação sobre o assunto, recomendando “prudência” no abertura de mais unidades do ensino médico.
Na verdade, há movimentação em nível nacional muito forte entendendo que se deve organizar as atuais faculdades médicas, sendo indispensável investigação séria para se aquilatar o que oferecem, que formandos colocam no mercado para cuidar da saúde da população. “O Brasil conta com 240 mil médicos, sendo 10 mil em plena atividade em Pernambuco”, informa Roberto Tenório, presidente do Conselho Regional de Medicina Cremepe, defendendo ainda uma política de interiorização, porquanto a relação um médico por 1000 habitantes está nos padrões da Organização Mundial de Saúde. Existe todavia sensível concentração da RMR.
Já Vanessa Monteiro da Silva, acadêmica de Medicina da UPE, representante da Direção Executiva Nacional de Estudantes de Medicina Denem, revela-se rigorosamente contra novos cursos médicos, creditando a tentativa ao interesse “de organizações privadas”.
A reunião da Comissão de Saúde, na manhã de ontem, no Plenarinho I, leva à conclusão de que o País necessita de mudar o currículo, melhorar ainda mais a qualidade do ensino médico, preparando profissionais que cuidarão da saúde e da vida do cidadão. Acha que não há carência de médicos, sendo o número de formandos bastante, alertando todavia para o problema de distribuição, ou seja, umas regiões têm muitos médicos, outras sofrem pela falta de quem atenda as comunidades.
Participaram dos debates, também, Adriano Ernesto de Oliveira, presidente da Sociedade de Medicina; Ricardo Paiva, presidente do Sindicato dos Médicos e o deputado Garibaldi Gurgel. (Antônio Azevedo)
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