Romário Dias critica MST

Em 05/05/2000 - 00:00
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Romário Dias critica MST O líder do Governo, deputado Romário Dias, estranhou ontem, na Assembléia Legislativa, a rapidez e eficiência da mobilização do Movimento Sem Terra e também a composição de suas lideranças, que são pessoas letradas, de sotaque diferente, comprovando que nada têm a ver com a reforma agrária, a melhoria do homem do campo e o desenvolvimento do país.

Na opinião do parlamentar, o Movimento Sem Terra está demonstrando a intenção de ocupar prédios públicos, desrespeitar as leis, fazer agitação e anarquia, em lugar de sentar-se com as autoridades, discutir democraticamente e buscar caminhos para promover a reforma, assegurar o desenvolvimento agrícola, que é objetivo do Governo e da sociedade.

Romário Dias ressaltou que a ação do Presidente Fernando Henrique, de segmentos do seu governo, vem sendo tímida, expressão de fraqueza, ficando o ministro Raul Jungman com a tarefa de enfrentar os excessos do Movimento, que não trava uma luta justa, uma briga por terra, emprego, salário, como ocorreu na época das Ligas Camponesas e marca a ação da Fetape.

Romário Dias destacou o trabalho do Secretário André de Paula, da Produção e Reforma Agrária, mas lembrou que não pode avançar no campo da distribuição de terra, de uma estratégia de assentamento e produção agrícola, pois a questão permanece sob controle da União, do Governo Federal, e assim o Estado não pode agir para adotar soluções.

O deputado Antônio Moraes, em aparte, sugeriu que a liderança do Governo interceda junto ao Prorural, visando um preço justo para a terra, pois na Zona da Mata há disponibilidade de áreas para assentamento, mas o órgão quer pagar apenas 500 reais por hectare, inviabilizando a cessão de terras e contribuindo para as invasões violentas, para o clima atual.

Romário Dias incorporou a sugestão e defendeu uma reunião da Comissão de Agricultura, do Prorural, do Incra, para definir um preço justo e avançar na política de reforma. Ele reconheceu que é preciso distinguir entre terra nua e terra com benfeitoria, de modo que sejam criadas opções para o agricultor sem terra, mas sem cair na proliferação de minifúndios.

Diniz Cavalcanti e Antônio de Pádua, em aparte, condenaram as invasões de terras, de prédios públicos, acentuando que está se gerando um clima de inquietação no país, com prejuízos para investimentos no desenvolvimento agrícola, em outros segmentos do país, e que o Governo tem de agir para manter a ordem. (Nagib Jorge Neto)