Após a realização das palestras, Guilherme Uchôa, Gilberto Marques Paulo e Pedro Eurico se submeteram a uma série de questionamentos formulados pelos estudantes da Unicap. Além da crise do federalismo, as perguntas giraram em torno da desobrigação de o Legislativo se pronunciar sobre a privatização de instituições públicas do Estado e a interferência do Executivo no Legislativo e Judiciário, entre outros pontos.
Com a rejeição da subemenda do deputado Geraldo Melo (PMDB), o Legislativo concedeu ao Governo a oportunidade de privatizar sem ouvir previamente a Assembléia? Marques Paulo Eu fui o único deputado do PFL a votar favorável à emenda de Geraldo Melo, por entender que a Constituição Federal deixa claro que todas as privatizações têm que passar pelo crivo do Legislativo. Considero a presente decisão inócua, passível de nulidade.
Uchôa Votei a favor da proposta do Governo e encaro a decisão da Casa como uma autorização ao governador para estudar as medidas mais necessárias e convenientes ao Estado. Entendo que a Assembléia não concedeu um cheque em branco ao Governo, mas apenas delegou poderes.
A hipertrofia do Executivo, que está cada vez mais subjugando o Legislativo, é um fenômeno ocasional ou vislumbra o surgimento de uma nova ordem constitucional? Eurico Antes de mais nada, é preciso avaliar se essa hipertrofia ocorre só no Brasil. Na Inglaterra, o Parlamento discute a autorização a Tony Blair para editar decretos semelhantes às medidas provisórias. Já a Itália debate a adoção do regime presidencialista e do voto distrital puro, como ocorre no Brasil. O surgimento dos blocos econômicos mexeu com a conjuntura interna de cada País, motivando a discussão sobre o conceito de territorialidade e existência do Estado Nacional. Essa questão passa pela rearrumação do novo papel do Estado e dos chefes de Estado.
Qual a avaliação do deputado Gilberto Marques Paulo sobre os investimentos no ensino fundamental propiciados pelo Fundef? Marques Paulo Em relação ao Fundef, discordo não da existência do Fundo em si, que considero um mecanismo de justiça distributiva. O que não faz sentido é que os municípios arquem com a maioria dos recursos para financiamento do ensino fundamental.
Qual a influência da globalização sobre a soberania nacional e autonomia dos Estados? Eurico Na minha opinião, não existe Estado Nacional, mas capital volátil, estimulado pela revolução mundial nas comunicações e meios de transporte. O maior desafio do Brasil será construir uma sociedade independente em termos de conhecimento, embora o Governo FHC cometa um crime quando deixa de investir em Ciência e Tecnologia. A sociedade tem que reagir a isso, a partir de fortalecimento da opinião pública.
O político é capaz de conciliar os anseios da população com os compromissos firmados com segmentos que o ajudaram a se eleger? Uchôa Este ano, a Assembléia comemora os 150 anos de nascimento do seu patrono, Joaquim Nabuco. Nos Anais da Casa, é possível observar que em nenhum momento o Poder Executivo deixou de ser maioria aqui. Do bom comportamento dos políticos depende a preservação da democracia e o fortalecimento do Legislativo. (S F)