
ITINERANTE – Demanda foi apresentada em audiência pública realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher no município. Foto: Evane Manço
O pedido de instalação de uma Delegacia Especializada da Mulher esteve presente na fala de todas as participantes que fizeram intervenções durante a audiência pública realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alepe, nessa quarta (25), em Santa Cruz do Capibaribe (Agreste). O evento, que ocorreu na Câmara de Vereadores do município, marcou a retomada do projeto Comissão Itinerante pelo colegiado.
No discurso de abertura, a presidente da Comissão da Mulher, deputada Delegada Gleide Ângelo (PSB), lembrou que, pela primeira vez na história, a Assembleia tem dez mulheres na composição do colegiado. Ela destacou que a população de Pernambuco é composta por 53% de mulheres, mas que não ocupam os espaços de poder nessa proporção.
Para a parlamentar, as mulheres são maioria e se comportam como minoria porque a sociedade continua prosperando uma cultura machista. Ainda segundo ela, ser feminista “não é ser o contrário de machista, mas ser uma mulher que luta por direitos iguais”.

BALANÇO – “Ouvimos a sociedade e mostramos que mulher pode, sim, chegar ao Legislativo”, afirmou Gleide Ângelo. Foto: Evane Manço
Gleide Ângelo anunciou que a Comissão vai encaminhar as demandas que não são de competência da Alepe para os órgãos responsáveis, a fim de que possam ser resolvidas. Ela avaliou que o evento teve resultado positivo. “A gente saiu daqui sabendo muito mais de Santa Cruz Capibaribe, ouvindo as demandas da sociedade e mostrando que mulher pode, sim, chegar ao Legislativo. E deve, porque política também é lugar de mulher”, observou.
De acordo com o prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Edson Vieira, o município tem atuado para diminuir a desigualdade entre homens e mulheres ao pôr em prática diversas políticas públicas para a população feminina. “Fico feliz em poder debater esse tema e demonstrar nossos avanços”, disse. “Temos vários trabalhos, a exemplo do Sistema Integrado de Proteção à Mulher (SIM), o apoio às mães, os mais de 1.500 atendimentos na Coordenadoria da Mulher e o incentivo à participação das mulheres nos órgãos da cidade, dando vez e voz ao segmento.”
Em 2017, Santa Cruz do Capibaribe recebeu da Alepe o prêmio Prefeitura Amiga das Mulheres. A homenagem, criada em 2013, julga projetos voltados para saúde da mulher, enfrentamento à violência, elevação do nível de escolaridade e ocupação em cargos de alto escalão do Poder Público municipal.
A estudante de Serviço Social Edinaete Silva contou que, durante o estágio que fez na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade, acompanhou vários casos de violência contra a mulher. Segundo ela, muitas mulheres permanecem nessa condição por não saberem que são vítimas, mas a conscientização da sociedade pode ajudar a combater o problema. “Precisamos adotar políticas coerentes e cabíveis por meio de palestras, promovendo campanhas voltadas a jovens, crianças e adolescentes com relação a esse tema”, acredita.

CAMINHO – Para a estudante de Serviço Social Edinaete Silva, conscientização da sociedade ajuda a combater a violência contra a mulher. Foto: Evane Manço
Por sua vez, a estudante Josiane Bezerra pediu à Comissão que realize um debate sobre a condição da mulher negra em Santa Cruz do Capibaribe. Para ela, esse grupo é maioria na formação da população da cidade e também o mais vulnerável, pois sofre diversos preconceitos. “Sinto falta de políticas públicas voltadas para esse segmento.”
Entre as outras cobranças feitas durante a audiência pública, estão a criação de um campus da Universidade de Pernambuco (UPE) na região, a liberação de verbas do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento Municipal (FEM) destinadas a Santa Cruz e uma visita do colegiado à periferia da cidade para conhecer as condições de trabalho das mulheres da localidade.
Também participaram da audiência as parlamentares Alessandra Vieira (PSDB), Dulcicleide Amorim (PT), Fabíola Cabral (PP), Roberta Arraes (PP), Simone Santana (PSB), Teresa Leitão (PT) e a codeputada Kátia Cunha, do mandato coletivo Juntas (PSOL). Ainda estiveram presentes o prefeito de Toritama, Edilson Tavares, e o vice-prefeito de Santa Maria do Cambucá, Mário Filho, bem como vereadores, conselheiras tutelares e lideranças de toda a região.
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