A polêmica quanto à importação de lixo hospitalar dos Estados Unidos para Pernambuco motivou os discursos dos deputados Edson Vieira (PSDB) e Odacy Amorim (PT). Vieira, que é 2º vice-presidente do Poder Legislativo Estadual, declarou repúdio à Fábrica Império do Forro de Bolso. Amorim, por sua vez, abriu o debate e informou que elabora um projeto de lei a fim de esclarecer os comerciantes pernambucanos sobre o significado de palavras estrangeiras nos tecidos.
“Estudamos a abordagem. Somos importadores e exportadores de mercadorias. Os comerciantes devem entender as especificações dos produtos para informar os consumidores”, declarou o petista. Foram encontrados lençóis em camas de um hotel pernambucano com a expressão healthcare, que significa serviço de saúde.
A carga apreendida no Porto de Suape, no último dia 13, estava endereçada à Fábrica Império do Forro de Bolso, uma das que compõem o Polo de Confecções do Agreste. Edson Vieira apresentou o Requerimento nº 840/2011 em protesto “à atitude vergonhosa e lastimável da empresa, que utilizou meios clandestinos e, principalmente, má fé para importar produtos têxtis”. A apreensão de contêineres ganhou destaque nos veículos de comunicação do País. Descrito como “tecidos de algodão com defeito”, o material também tinha lixo hospitalar. O destino era as cidades de Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru.
“O fato mostrou que, há 11 anos, o proprietário da fábrica comercializava tecidos descartados por hospitais norte-americanos. O material era recortado e vendido por R$ 8,35 o quilo, movimentando cerca de US$ 1 milhão, segundo divulgado ao Governo Federal, entre 2009 e 2010”, lamentou Vieira, ressaltando que a “conduta criminosa” de um empreendimento prejudicou os pernambucanos que trabalham no maior Polo de Confecções do Brasil, responsável pelo faturamento de R$ 3,5 bilhões para o Estado. A atividade econômica é reconhecida, como comprova a evolução do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das cidades localizadas na região. “Lá, estão mais de 20 mil empresas honestas. O proprietário da Império do Forro de Bolso não é pernambucano e nos envergonha.
Mostraremos o exemplo de trabalho e empreendedorismo da região”, completou.
As ações adotadas em Santa Cruz do Capibaribe e pelo Governo do Estado para minimizar os efeitos negativos levaram o tucano a agradecer o apoio do governador Eduardo Campos (PSB). O Executivo ingressará com uma representação, por meio do Ministério das Relações Exteriores, a fim de notificar e cobrar explicações ao governo norte-americano. “Desejamos que o Governo Federal defina regras quanto à importação de produtos têxtis. Também ressaltamos o lançamento de uma campanha publicitária nacional de valorização ao Polo Têxtil. Em Santa Cruz, a prefeitura suspendeu o alvará de funcionamento da fábrica e, a Vigilância Sanitária recolherá qualquer tecido suspeito. Um comitê gestor foi criado para tratar o assunto”, enumerou.
Em apartes, Sílvio Costa Filho (PTB) e Tony Gel (DEM) lamentaram o fato.
Presidente do Legislativo de Pernambuco, o deputado Guilherme Uchoa (PDT) se mostrou solidário às iniciativas adotadas para reverter a imagem negativa contra o setor e enfatizou que “a Alepe participará ativamente das propostas que vierem a contribuir com a resolução do problema”.
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