Adhemar Pereira de Barros
 Adhemar (também encontramos grafado Ademar) Pereira de Barros nasceu em Piracicaba (SP), em 22 de abril de 1901. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro e estudou, durante quatro anos, na Universidade Popular de Berlim (Alemanha). Radicou-se no Rio de Janeiro, passando a trabalhar no Instituto Osvaldo Cruz. Participou do Movimento Constitucionalista de 1932, atuando como médico. Com a derrotada da rebelião, exilou-se no Paraguai e na Argentina. De volta ao Brasil, filiou-se ao Partido Republicano Paulista (PRP), em cuja legenda elegeu-se à Assembléia Constituinte do Estado de São Paulo. Foi nomeado interventor de São Paulo, cargo que exerceu, de 1938 a 1941. Foi acusa de desvios de dinheiro público, de prática de jogo ilícito, de negociatas com firmas privadas, entre outras irregularidades. Por esse motivo, foi afastado da Interventoria, pelo presidente Getúlio Vargas. Com o processo de redemocratização do País, filiou-se à União Democrática Nacional (UDN) e, depois, ao Partido Social Progressista (PSP), em cuja legenda elegeu-se governador de São Paulo, no pleito de 1947. Na sua gestão, enfrentou uma sucessão de crises, sendo, constantemente, acusado de corrução, pelos seus opositores. Muitos deputados paulistas defenderam a intervenção federal em São Paulo, sem sucesso. Ademar concluiu seu mandato, construindo diversas obras de impacto, como o Plano da Casa Própria Popular, o Hospital das Clínicas, as vias Anhanguera e Anchieta, a Comissão de Assistência Técnica à Lavoura etc. Nas eleições de 1950, aliou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que elegeu Vargas presidente da República e Lucas Garcez, governador de São Paulo. Terminou rompendo com Garcez. Em 1954, concorreu, novamente, ao Governo de São Paulo, sendo vencido, por pequena margem de votos, por Jânio Quadros. Na época, seus próprios correligionários lançaram o slogan "rouba. Mas faz", como mote de campanha. No ano seguinte, foi candidato à Presidência da República, ficando em terceiro lugar, com 2.222.725 votos. O eleito seria Juscelino Kubitschek. Em São Paulo, Jânio acionou mais um processo contra Adhemar, condenado, então, a dois anos de reclusão por compra irregular de automóveis. Conseguiu escapar da prisão, refugiando-se na Bolívia. Beneficiado por habeas corpus, pôde candidatar-se à Prefeitura de São Paulo e vencer o pleito. Concorreria à sucessão de Jânio, em 1958, perdendo para Carvalho Pinto, e voltaria a lançar-se candidato à Presidência da República, em 1960. Mais uma vez, ficou em terceiro lugar. O arqui-inimigo Jânio seria o presidente. Ainda na legenda do PSP, com apoio do Partido Social Democrático (PSD), elegeu-se governador de São Paulo, em 1962. Adotou uma postura anticomunista e moralizante e combateu, radicalmente, o Governo João Goulart. Com essa nova bandeira, foi lançado pelo PSP, em fevereiro de 1964, candidato à Presidência da República. Teve seu projeto frustrado, com o movimento militar que depôs o presidente. Deu total apoio ao novo regime, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido governista, mas teve seu mandato cassado e seus direitos políticos suspensos por 10 anos, em 1966. Radicou-se em Paris (França), onde morreu, em 12 de março de 1969. Além de político, Adhemar de Barros exerceu atividades empresariais. Foi presidente das Fábricas Redenção e Nossa Senhora Mãe dos Homens; proprietário de fazendas em São Paulo; diretor das Indústrias de Chocolate Lacta, da Fábrica de Produtos Quíjicos Vale do Paraíba, da Sociedade Extrativa de Taubaté e da Sociedade Extrativa Limitada de Itapeva.
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