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PODER LEGISLATIVO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Recife, quarta-feira, 16 de abril de 2003.
Ano LXXX l Nº 67
PRONUNCIAMENTOS
PRONUNCIAMENTO DO DEPUTADO
MAVIAEL CAVALCANTI NA REUNIÃO
DO DIA 09 DE ABRIL DE 2003.
AGROPECUÁRIA E POLÍTICAS PÚBLICAS
Minha convivência com o interior, sempre me demandou estudo permanente
e aproximação com os problemas da agropecuária, embora
não seja especialista no assunto.
Como parlamentar, sinto-me na obrigação de manter-me vigilante
quanto à definição de novas alternativas de políticas
públicas para o setor agropecuário, que tanto significado
tem para manter a economia crescendo satisfatoriamente.
Segundo estudos formulados pelo agrônomo Aloísio Ferraz e
outros autores, intitulado "Considerações Sobre o Desempenho
da Agropecuária Pernambucana - 2002", a agricultura vem enfrentando
dificuldades, sobretudo, em decorrência da fragilidade das políticas
públicas federais, que contribuem para reduzir os efeitos das iniciativas
que o Governo Estadual vem desenvolvendo.
Dentre outras constatações, o estudo identifica o seguinte:
- Que o meio rural pernambucano, perdeu 600.000 pessoas, que migraram
para os centros urbanos, no período de 1980 a 1985;
- Que este processo migratório vem ocorrendo nos segmentos mais
jovens da população rural, tornando o campo vulnerável
em termos de mão-de-obra;
- Que a população do Estado evoluiu em 30%, no período
de 1980/2000 e a população rural diminuiu 17,0% em igual
período;
- Que o número de estabelecimentos rurais no Estado, diminuiu 26%
de 1985 para 1995;
- Que os preços recebidos pelos produtores rurais, apresentam patamares
desfavoráveis, empobrecendo os agricultores. Os preços pagos
estão acima dos preços recebidos, até mesmo nas culturas
de cana-de-açúcar, boi gordo, frango, leite e banana, com
graves prejuízos para a economia agrícola estadual. Em termos
de preços pagos pelos produtores, em Pernambuco, os mesmos estão
acima do registrado em São Paulo, em cerca de 20,0%¨.
Mesmo com dificuldades, a agricultura estadual, graças à
capacidade de trabalho dos agricultores e ao esforço do Governo
Jarbas Vasconcelos, ainda registra saldos positivos em alguns produtos
como cana-de-açúcar, fruticultura irrigada, cebola e tomate
quando analisados pelo lado do volume da produção em 2000,
comparando-se com 1975. Mesmo assim, é necessário significativo
esforço governamental e privado, para assegurar sustentabilidade
e ampliação da produtividade agrícola.
Pelo lado da pecuária, ainda que nos últimos anos, os resultados
sejam mais satisfatórios, é preciso verificar que o rebanho
bovino em 2000, era inferior à média do rebanho 1980/89,
em 15,0%, enquanto que o efetivo caprino foi superior em cerca de apenas
10,0%, evolução inferior ao crescimento da população
que situou-se próximo de 40,0%, no período. Os setores de
leite, aves e ovos, todos registram produções maiores em
2000, quando comparados com a média 1980/89, o que não significa
desempenho satisfatório.
A agricultura de subsistência, extremamente condicionada à
ocorrência de chuvas, vem sendo golpeada no decorrer do tempo, aumentando
a dependência de Pernambuco, sobretudo em milho, feijão e
mandioca, com graves prejuízos para a avicultura pernambucana e
para aumento da dependência de importações para o
abastecimento alimentar.
Este artigo não tem a finalidade de abordar os problemas setoriais
de maneira abrangente, até por falta de espaço, tem sim,
a preocupação de provocar o debate sobre o tema. Debate
no âmbito do Governo e dos municípios que tanto dependem
do desenvolvimento agrícola. Discussão com os órgãos
representativos do setor agrícola - Federações, Sindicatos
e outras instiuições vinculadas à agricultura. Como
parlamentar e como Presidente da Comissão de Agricultura e Política
Rural da Assembléia Legislativa, sinto-me no dever de discutir
o assunto, colocando-me a serviço do setor, para que sejam definidas
novas formas de enfrentamento dos problemas da agropecuária, inclusive
com a preocupação de reunir subsídios para contribuir
com a execução dos programas do Governo Jarbas Vasconcelos.
Em termos de políticas públicas, espero, inclusive, com
a redefinição da nova SUDENE, que o Governo Federal imponha
ao setor, tratamento destacado, sobretudo, pelo peso social que ele possui
e pela elevada contribuição que pode dar em termos de geração
de empregos a custos comparativamente mais baixos. Pernambuco e o Nordeste,
em termos de política agrícola, precisam de tratamentos
diferenciados.
Como um dos defensores dos interesses dos produtores rurais, tenho o dever
de contribuir para ampliar o debate sobre o assunto que na minha opinião,
não é do exclusivo interesse dos agricultores, mas de todos
que lutam pelo desenvolvimento de Pernambuco e da região. É
necessário que o setor público amplie o investimento na
agropecuária e para tanto, torna-se essencial a ampliação
do esforço político e do setor privado.
PRONUNCIAMENTO DO DEPUTADO
SEBASTIÃO RUFINO NA REUNIÃO
DO DIA 14 DE ABRIL DE 2003.
O DIA DO EXÉRCITO BRASILEIRO
- 19 DE ABRIL
SENHOR PRESIDENTE
SENHORAS DEPUTADAS
SENHORES DEPUTADOS
É COM MUITA HONRA QUE COMPAREÇO A ESTA TRIBUNA, COM O PROPÓSITO
DE SAUDAR O EXÉRCITO BRASILEIRO PELA SUA DATA, QUE OCORRERÁ
NO próximo DIA 19 de abril, O QUE NOS REMETE A UM PASSADO GLORIOSO
DE LUTAS E VITÓRIAS CONTRA O INVASOR HOLANDÊS.
LEMBRAR A EPOPÉIA DA 1ª BATALHA DOS GUARARAPES, OCORRIDA EM
1648, É DEVER CÍVICO DO LEGISLATIVO, PORQUE PERMITE MOSTRAR
AO POVO PERNAMBUCANO, FATOS HISTÓRICOS QUE FUNDAMENTARAM A NOSSA
NACIONALIDADE.
NO FINAL DO SÉCULO XVI E INÍCIO DO SÉCULO XVII, A
ECONOMIA DA COLÔNIA PASSOU POR TRANSFORMAÇÕES PROFUNDAS.
DECLINAVA O EXTRATIVISMO DO PAU-BRASIL E FLORESCIA, EM TODO NORDESTE,
A CULTURA DA CANA E A PRODUÇÃO DE AÇÚCARES.
ERA PUJANTE O PROGRESSO DA CAPITANIA DE PERNAMBUCO, PASSANDO DE 66 ENGENHOS
EM 1584 PARA 144 EM 1630.
ESSA ECONOMIA FLORESCENTE DESPERTOU O INTERESSE HOLANDÊS PELA REGIÃO,
QUE A INVADIU, COM PODEROSA ESQUADRA, NESTE MESMO ANO, APÓS TENTATIVA
FRUSTRADA, SEIS ANOS ANTES, NA BAHIA.
APESAR DO DOMÍNIO QUE SE ESTENDEU POR VINTE E QUATRO ANOS, A CAPITANIA
DE PERNAMBUCO RESISTIU DURANTE TODA A OCUPAÇÃO.
A PRINCÍPIO, COM TROPAS REGULARES MAJORITARIAMENTE DE ORIGEM EUROPÉIA.
POSTERIORMENTE, CONVOCOU MORADORES E ADOTOU, ALÉM DO PLANEJAMENTO
FORMAL DA ÉPOCA, A GUERRA BRASÍLICA - DESCENTRALIZADA, LENTA,
IMPROVISADA, INDÍGENA.
ESTA NOVA FORMA DE LUTA REUNIA A ASTÚCIA, A FORÇA E A ORGANIZAÇÃO
DE UM POVO DOMINADO, MAS NÃO VENCIDO, E QUE, AO ACEITAR O DESAFIO,
SOUBE SE DAR CRÉDITO E AGIR PARA RECONQUISTAR A LIBERDADE.
SENHOR PRESIDENTE, SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS, SINTO-ME ORGULHOSO DESSE
PASSADO.
SINTO ORGULHO DESTA TERRA QUE EXPERIMENTOU O PROGRESSO E SOFREU A COBIÇA
DE EUROPEUS POR SEIS DÉCADAS, DURANTE O PERÍODO DA UNIÃO
DAS COROAS DE PORTUGAL E ESPANHA.
NESSE TEMPO, A HOLANDA EM GUERRA COM A ESPANHA, CARENTE DO AÇÚCAR
BRUTO PARA SUAS REFINARIAS, ANTES LIVREMENTE COMERCIALIZADO POR PORTUGAL,
DECIDIU PELA CONQUISTA DO NORDESTE BRASILEIRO. AQUI FUNDOU A NOVA HOLANDA,
EM TERRAS QUE HOJE COMPREENDEM OS ESTADOS DE ALAGOAS AO MARANHÃO.
A INVASÃO COMEÇOU COM O DESEMBARQUE NA PRAIA DE PAU AMARELO,
SEGUIDO DA CONQUISTA E INCÊNDIO DE OLINDA E, FINALMENTE, DA OCUPAÇÃO
DO RECIFE.
A GUERRA DE RESISTÊNCIA FOI ORGANIZADA POR MATIAS DE ALBUQUERQUE,
COMANDANTE DAS ARMAS DA CAPITANIA, E CONTOU COM A PARTICIPAÇÃO
DE TROPAS REGULARES E DE SEGMENTOS DA POPULAÇÃO.
ESTE ESTÁGIO DA GUERRA PERDUROU ATÉ A QUEDA DO ARRAIAL DO
BOM JESUS, HOJE SÍTIO DA TRINDADE, EM 1635.
A PARTIR DAÍ E ATÉ 1645, CONSOLIDOU-SE A PRESENÇA
HOLANDESA COM A CHEGADA DO CONDE JOÃO MAURÍCIO DE NASSAU.
ESCLARECIDO E INTELIGENTE, DEU UMA VISÃO MAIS HUMANA À CONQUISTA,
O QUE PERMITIU UMA VIGOROSA EXPANSÃO ECONÔMICA, CULTURAL
E SOCIAL A PERNAMBUCO.
A PARTIR DE 1645, TEVE INICIO A INSURREIÇÃO PERNAMBUCANA,
COM AS VITÓRIAS DOS LUSO-BRASILEIROS NAS BATALHAS DO MONTE DAS
TABOCAS E DE CASA FORTE, ENTRE OUTRAS DE MENOR EXPRESSÃO MILITAR.
NESTA FASE DE AÇÃO, PRATICAMENTE QUASE TODO EFETIVO DO NOSSO
EXÉRCITO ERA CONSTITUÍDO POR BRASILEIROS ORIUNDOS DAS RAÇAS
FORMADORAS DO NOSSO POVO: BRANCA, NEGRA E ÍNDIA.
DIANTE DO DESEQUILÍBRIO DAS FORÇAS LITIGANTES, INDICAVA
A PRUDÊNCIA EVITAR A LUTA DIRETA, CONVENCIONAL, ENTRE PATRIOTAS
E INVASORES, POIS ESTES POSSUÍAM EXÉRCITO NUMERICAMENTE
MAIOR E MAIS BEM ORGANIZADO E ARMADO.
EM DECISÃO ACERTADA, OS LUSO-BRASILEIROS CRIARAM, NO ARRAIAL NOVO
DO BOM JESUS, NOVAS COMPANHIAS VOLANTES PARA A LUTA IRREGULAR, ASSOCIADAS
ÀS TROPAS FIXAS DAS ESTÂNCIAS, QUE ENCURRALAVAM O INIMIGO
NO PERÍMETRO DO RECIFE.
DIANTE DESSA PRESSÃO E DA FALTA GENERALIZADA DE ALIMENTO, VIRAM-SE
OS HOLANDESES FORÇADOS A ROMPER O CERCO DA CIDADE. COM CERCA DE
4.500 HOMENS, INICIARAM DESLOCAMENTO PARA O SUL, EM DIREÇÃO
DO CABO, E FORAM DERROTADOS NAS ENCOSTAS DOS MONTES GUARARAPES, APÓS
MAIS DE CINCO HORAS DO COMBATE POR UM EXÉRCITO HETEROGÊNIO
E DETERMINADO, CONSTITUÍDO DE 2.200 HOMENS, EM SUA MAIORIA NÃO
PROFISSIONAIS. FOI O TRIUNFO DO ESFORÇO E DA VONTADE, DO DAVI CONTRA
GOLIAS.
ESSA MONUMENTAL VITÓRIA NATIVA, NA QUAL SE DESTACARAM FRANCISCO
BARRETO DE MENEZES, MESTRE-DE-CAMPO GENERAL; JOÃO FERNANDES VIEIRA,
MESTRE-DE-CAMPO; ANDRÉ VIDAL DE NEGREIROS, TAMBÉM MESTRE-DE-CAMPO;
HENRIQUE DIAS, GOVERNADOR DOS CRIOULOS, NEGROS E MULATOS DO BRASIL; E
ANTÔNIO FELIPE CAMARÃO, CAPITÃO-MOR DOS ÍNDIOS,
REPRESENTOU A UNIÃO DO POVO E A AFIRMAÇÃO DA VONTADE
NACIONAL. ESSA EMPREITADA FEZ SURGIR O SENTIMENTO PÁTRIO - ATÉ
ENTÃO DESCONHECIDO NA COLÔNIA -, E O DESABRACHAR DA LIBERDADE,
COM A CAPITULAÇÃO DOS HOLANDESES NA CAMPINA DO TABORDA,
NO RECIFE, EM 1654.
SENHOR PRESIDENTE, SENHORAS E SENHORES DEPUTADOS.
O SÍTIO DOS GUARARAPES É A HERANÇA MATERIAL DE UMA
EPOPÉIA DO NOSSO POVO. LÁ REPOUSA A ALMA DO SOLDADO, DO
PATRIOTA. LÁ SE FORMOU ÉTNICA E CULTURALMENTE A NOSSA NAÇÃO.
É, SEM DÚVIDA, LOCAL DE REVERÊNCIAS, PORQUE EVOCA
LEMBRANÇAS DE GRANDES FEITOS MILITARES.
É BERÇO DA NACIONALIDADE.
É SOLO GERMINAL DO EXÉRCITO BRASILEIRO.
MUITO OBRIGADO!
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