Frente Parlamentar discute suicídio e automutilação com representantes da Secretaria Estadual de Saúde

Em 14/11/2019
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Pernambuco registrou cerca de mil e novecentas notificações de tentativas de suicídio no ano passado. Neste ano, foram cerca de duas mil e cem ocorrências, entre os meses de janeiro e setembro. Os dados foram apresentados na primeira reunião da Frente Parlamentar de Combate à Automutilação e ao Suicídio da Assembleia Legislativa, realizada nessa quarta. No encontro, representantes da Secretaria Estadual de Saúde apresentaram as ações desenvolvidas para acolhimento dos pacientes e prevenção de novos casos.

O gerente de Atenção à Saúde Mental do Estado, João Marcelo Costa, citou a obrigatoriedade de notificação das tentativas em até 24 horas; a qualificação dos profissionais; e a elaboração de cartilha com orientações para pessoas em situação de violência, que estão mais vulneráveis ao suicídio. Ele defendeu, ainda, a necessidade de atendimento intersetorial e a ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial, os chamados CAPS.  “Porque quanto mais CAPS 24 horas, mais você vai ter a capacidade de atender àquelas demandas complexas de resposta de atenção à crise de demandas de saúde mental, dentro do próprio território, sem precisar fazer com que todas as demandas sejam gerenciadas para aqui, por exemplo, para o Hospital Ulysses Pernambucano, que é aqui na capital.”

Em 2017, 438 pessoas tiraram a própria vida no estado, um aumento de 31% em comparação aos dados de 2013. A médica do IMIP, Rackel Eleutério, especialista em psiquiatria da infância e adolescência, ressaltou a gravidade da situação entre a faixa etária de 15 a 29 anos, em que o suicídio é a segunda maior causa de morte, ficando atrás apenas de acidentes. Ela destacou os principais sinais de alerta a serem observados pela família e amigos. “A pessoa que começa a ficar mais isolada, mais retraída, redução da rede social real – não da virtual – a redução da quantidade de amigos, irritabilidade, mudança no padrão de sono e de alimentação, falas relativas a desejo de não estar mais aqui, desejo de sumir, às vezes de morrer.”

O deputado Delegado Erick Lessa, do PP, afirmou que não se pode pensar políticas públicas de saúde sem tratar de temas como automutilação e suicídio. Priscila Krause, do Democratas, ressaltou a importância da participação da sociedade civil para a proposição de ações efetivas. Teresa Leitão, do PT, lamentou medidas recentes do Governo Federal que podem prejudicar o atendimento na saúde pública brasileira.

O coordenador dos trabalhos, deputado Diogo Moraes, do PSB, explicou que a ideia é criar, ao fim das atividades, um novo Plano Estadual de Prevenção.“A dinâmica será escutar todos os entes governamentais que fazem parte do processo de combate à automutilação e suicídio, as sete secretarias correlatas. Nós iremos extrair o que elas estão fazendo, o que fizeram e o que pretendem fazer diante dessa pandemia que está acontecendo, não só no Brasil, mas como no mundo.” A próxima reunião da Frente Parlamentar está marcada para o dia 26 de novembro, com representantes da Secretaria de Educação.